Um sueco de 73 anos acordou nesta sexta-feira como mulher, tornando-se a pessoa mais velha do mundo a trocar de sexo. A cirurgia de troca de sexo foi concluída na quinta-feira no prestigiado Instituto Karolinska, na capital sueca.

Os médicos não quiseram fazer comentários, mas a informação sobre o sucesso da operação foi dada à BBC Brasil pelo próprio paciente, em entrevista por telefone do quarto do hospital onde se recupera da cirurgia.

"Agora sou finalmente uma mulher", disse Loise à BBC Brasil. Sua identidade não pode ser revelada, segundo recomendação dos médicos.

"Sempre me senti como uma mulher, mas agora tenho o corpo de uma mulher", acrescentou ela.

E revelou, com um toque de timidez: "Já comprei até um biquíni".

Segundo Loise, a mudança de sexo foi realizada com uma série de três cirurgias. A primeira e mais longa operação foi conduzida pelos médicos na segunda-feira, e a última foi concluída nesta quinta-feira.

"Foi o que desejei durante toda a minha vida, e por isto não tive medo. Os médicos me anestesiaram, e quando acordei já era 100% mulher", contou Loise à BBC, dizendo que espera ver seu nome em breve no Livro Guinness dos Records.

'Morrer como mulher'
A nova mulher deverá deixar o hospital já na próxima semana. Mas continuará a proteger sua identidade:
"Tenho medo", confessou Loise de seu quarto no hospital. "Gostaria que as pessoas me aceitassem como sou. Mas a verdade é que corro o risco de ser até assassinada por pessoas que simplesmente não aceitam a minha verdade."
Loise contou à BBC que os detalhes de sua operação serão revelados em matéria a ser publicada com exclusividade pelo jornal sueco Aftonbladet na próxima semana, quando ela deixar o hospital.

A BBC Brasil tentou contactar o médico Bengt Lundström, responsável pelo caso de Loise, mas ele não quis fazer comentários. Reiterou, apenas, a razão pela qual autorizou a operação de troca de sexo em um homem que no próximo mês de agosto completará 74 anos de idade.

"Ela (Loise) quer morrer como uma mulher. E este é um desejo válido, que deve ser respeitado", destacou ele.

A sueca com quem Loise vive, no sul da cidade de Gotemburgo, contou nesta sexta-feira à BBC Brasil que foi a primeira a falar com ela após a cirurgia.

"Loise estava extremamente feliz, e os médicos disseram que tudo correu bem", disse Anne-Marie, cuja identidade também não pode ser revelada.

Segundo Anne-Marie, Loise foi internada no Instituto Karolinska no domingo passado.

"Ela é uma pessoa forte, e foi para o hospital sem medo. Desde criança, Loise sonhava com este momento, e agora seu sonho se tornou realidade", disse ela.

Em entrevista concedida à BBC Brasil em abril de 2007, Loise disse que sempre tivera a certeza de que não era um homem.

"Quero morrer como uma mulher", revelou na época.

Sonho
Foram necessárias quatro décadas para realizar o sonho: desde os anos 60, quando a Suécia realizou as primeiras cirurgias de mudança de sexo, Loise tentava se transformar em mulher.

É preciso passar por um longo e rigoroso processo para que os médicos e autoridades suecas aprovem a realização da operação, e Loise precisou fazer várias tentativas.

Seu caso só foi aprovado após despertar o interesse de Lundström, o mais conceituado especialista sueco em transexualismo.

Loise contou à BBC no ano passado que tinha três anos de idade quando percebeu que se sentia, na verdade, uma mulher."Eu queria me livrar dos meus orgãos masculinos, mas minha mãe me impediu", diz.

Durante toda a infância, preferiu as roupas das irmãs. Chegava a ir a escola vestida como uma menina. As calças compridas, jogou num lago perto de casa.

Na idade adulta, Loise tentou viver uma vida "normal" como homem. Chegou até a se casar, mas o casamento durou pouco.

"Algumas vezes, pensei em suicídio", revelou.

O processo de mudança de sexo vinha sendo preparado há quatro anos, período em que Loise recebeu tratamento hormonal e apoio psicológico constante.

A mudança de nome e identidade foi aprovada pelas autoridades suecas no ano passado, quando foram emitidos também seu novo passaporte e a carteira de motorista: os documentos que provam que ela já existe.

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