Ao reivindicar ataque, Al-Qaeda diz que agente duplo agiu por vingança

DUBAI - O braço da Al-Qaeda no Afeganistão reivindicou a autoria do ataque da semana passada a uma base dos Estados Unidos no país, no qual um agente duplo cometeu um atentado suicida e matou sete membros da CIA.

iG São Paulo |

O grupo afirmou que o terrorista jordaniano Humam Khalil Abu Mulai al-Balawi, que em 30 de dezembro matou sete agentes da CIA em um atentado suicida no Afeganistão, agiu por vingança.

Em comunicado divulgado nesta quinta-feira por um site que costuma repercutir as notas do grupo terrorista, a Al-Qaeda afirma que Abu Duyana - nome com o qual identificam Balawi - cometeu o atentado como vingança pela morte de vários líderes da rede nas mãos das tropas americanas no Afeganistão e na Somália.

AP
Humam Khalil Abu Mulai al-Balawi
Tela de computador mostra foto do jordaniano Humam al-Balawi
Segundo a nota, Balawi deixou por escrito que se suicidaria: "Como vingança por nossos mártires, sobretudo o aiatolá Mahsud, Abu Saleh al-Somali e Abdallah Said al-Libbi", que teriam sido mortos em ataques com mísseis lançados por aviões não-tripulados dos EUA.
O comunicado, assinado pela Al-Qaeda no Afeganistão e no qual o grupo terrorista oferece suas condolências a todos os muçulmanos pela morte de Balawi, foi divulgado nesta quinta-feira, mas tem data de 2 de janeiro.
A autoria do atentado, no qual também morreu um membro da inteligência jordaniana, foi reivindicada no dia 1º pelo Taleban no Paquistão, informou então a imprensa do Paquistão.
Agente triplo
Humam Khalil Abu-Mulal al-Balawi, o terrorista que matou sete agentes da CIA (agência de inteligência americana) no Afeganistão na semana passada, pode ser considerado um "agente triplo", já que trabalhava ao mesmo tempo para os serviços de inteligência da Jordânia, dos Estados Unidos e também para a rede terrorista Al-Qaeda.
Originário de Zarqa, na Jordânia, o simpatizante da Al-Qaeda havia sido preso pelo serviço de inteligência da Jordânia havia um ano.
A inteligência jordaniana acreditou que o tivesse cooptado e o enviou ao Afeganistão para que se infiltrasse na Al-Qaeda. Sua missão específica era descobrir a localização do número 2 da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri.
Ele era usado como um informante jordaniano trabalhando para os EUA, mas tinha ligações com a rede terrorista Al-Qaeda e cometeu o atentado suicida no dia 30 durante encontro com agentes da CIA.
Acredita-se que ele vinha trabalhando disfarçado no leste do Afeganistão havia semanas antes de detonar um colete de explosivos durante uma reunião com agentes da CIA na base militar de Chapman, um complexo fortificado na província de Khost, perto da fronteira sudeste com o Paquistão.
O ataque foi o pior contra funcionários da inteligência americana desde que a Embaixada dos EUA em Beirute, Líbano, foi atacada em 1983, quando oito agentes morreram.
O jornal "The New York Times" disse que o homem tinha sido levado ao Afeganistão para ajudar na caçada de membros do alto escalão da Al-Qaeda.
Perfil
Humam Khalil Abu-Mulal al-Balawi era um jordaniano palestino que trabalhou em hospital de um campo de refugiados do país.
Filho de uma família procedente do território palestino da Cisjordânia, Balawi estudou na cidade turca de Tonya e se casou com uma turca antes de seguir para a Jordânia e trabalhar no hospital de campo de refugiados palestinos de Al-Rusaifa, na região da cidade de Zarqa, ao norte de Amã, até o ano passado.
Segundo fontes ligadas à família de Balawi, sua mulher, uma jornalista, e seus dois filhos estão na Turquia.
Balawi tinha três irmãos, entre eles um gêmeo que vive no Canadá, e uma irmã, Hanan. Moradores de Zarka afirmaram à agência AFP que Balawi era um muçulmano devoto.
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* Com Reuters, AP e AFP

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