Ao menos 20 peregrinos xiitas morrem em atentado em Kerbala, no Iraque

Pelo menos 20 pessoas morreram e 117 ficaram feridas em um atentado contra xiitas cometido nesta quarta-feira na cidade iraquiana de Karbala, 110 quilômetros ao sul de Bagdá.

iG São Paulo |

Segundo fontes policiais, uma motocicleta carregada de explosivos foi detonada perto de um instituto politécnico quando vários fiéis chegavam à cidade a pé para a celebração do Arbain, que assinala os 40 dias de luto por Hussein, neto do profeta Maomé, que morreu em uma batalha em Kerbala no século 7.

Entre as vítimas do atentado há mulheres, crianças e idosos. Devido ao estado grave de alguns dos feridos, não está descartada a hipótese de o número de mortos subir ainda mais.


Apesar de segurança reforçada com detectores de metais,
xiitas ainda são alvos de ataques durante peregrinação / AP

A explosão da motocicleta aconteceu no começo desta manhã, apesar de todo o esquema de segurança que o Exército e a polícia do Iraque montaram na cidade e nas estradas para proteger os xiitas.

Na hora, além dos peregrinos que chegavam à Kerbala, várias pessoas trabalhavam nos preparativos do Arbain, festividade que vai ser celebrada na noite de quinta para sexta-feira.

Ataque na segunda-feira

Na segunda-feira, uma mulher-bomba matou 41 peregrinos xiitas e feriu outros 106 em uma estrada perto de Bagdá, atentado atribuído pelo governo aos partidários do ex-presidente Saddam Hussein e da Al-Qaeda.

A explosão suicida aconteceu no momento em que milhares de xiitas lotavam as ruas para o início de uma marcha árdua para a cidade de Kerbala, a 80 quilômetros a sudoeste de Bagdá, para participarem do ritual religioso do Arbain.


Peregrinos xiitas caminham em estrada para Kerbala / AP

"As pessoas estavam servindo comida aos peregrinos. Uma mulher envolta em um cinturão de explosivos entrou na tenda e matou e feriu muitas pessoas e crianças", disse o peregrino Sahib, que estava perto da tenda.

Alvos xiitas

É provável que ocorra mais violência durante o período religioso do Arbain e antes da eleição, quando se suspeita que grupos islâmicos sunitas procurem enfraquecer o governo de Maliki, liderado por xiitas.

Desde que a invasão liderada pelos EUA em 2003 derrubou o governo sunita de Saddamn Hussein, milhões de xiitas do Iraque, Irã, Barein e outros países vêm desafiando a ameaça dos atentados suicidas, para visitar locais sagrados xiitas no Iraque.

Celebração de Arbain

O Arbain assinala os 40 dias de luto por Hussein, neto do profeta Maomé, que morreu em uma batalha em Kerbala no século 7. Centenas de milhares de peregrinos lotam a cidade para o ritual, batendo em seus peitos e cabeças em sinal de luto ritual.


Celebração do Arbain lembra a morte do neto do profeta Maomé / AFP

Muitos percorrem centenas de quilômetros a pé para chegar a Kerbala. Sob o governo de Saddam, o Arbain era reprimido, assim como outros grandes encontros xiitas.

Dezenas de milhares de soldados e policiais foram enviados para proteger os peregrinos e para cercar o santuário do reverenciado imã Hussein em Kerbala. Mas suspeitos extremistas sunitas, que vêem os xiitas como apóstatas, ainda conseguem furar o cerco.

* Com AFP e Reuters

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