Ao lado de Raúl Castro, Ahmadinejad decreta fracasso do capitalismo

Em visita a Cuba, presidente do Irã afirmou que sistema está em decadência e atualmente se encontra em um 'beco sem saída'

iG São Paulo |

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, reivindicou nesta quarta-feira uma nova ordem mundial diante do "fracasso" e da "decadência" do sistema capitalista, durante uma visita oficial a Cuba onde se reuniu com seu colega Raúl Castro. Como parte do giro que faz nesta semana pela América Latina, Ahmadinejad chegou na quarta-feira a Havana após estreitar laços com outros dois líderes "anti-imperialistas": o venezuelano Hugo Chávez e o nicaraguense Daniel Ortega.

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Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, se reúne com líder cubano Raúl Castro

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Em Cuba, após aterrissar com um atraso de mais de duas horas que forçou mudanças em boa parte de sua agenda oficial, Ahmadinejad recebeu o título de doutor honoris causa em Ciências Políticas na Universidade de Havana.

Na instituição, o iraniano fez um discurso em que criticou o capitalismo, assegurando que ele é um sistema em decadência que atualmente se encontra em um "beco sem saída". "Quando falta a lógica, recorrem às armas para matar e destruir. Hoje em dia a única ação que sobrou ao sistema capitalista é matar. É um sistema que está praticamente em fracasso e em decadência", disse o presidente iraniano.

Em seu discurso, Ahmadinejad não fez referência alguma às acusações da comunidade internacional sobre seu programa nuclear, que se intensificaram nos últimos dias depois que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que Teerã iniciara a produção de urânio enriquecido a 20% em sua nova usina de Fordo . O líder do Irã também não se referiu ao atentado de quarta-feira em seu país, onde foi assassinado o cientista Mostafa Ahmadi Roshan , um dos responsáveis pela usina nuclear de Natanz, a maior do Irã. 

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Por outro lado, Ahmadinejad defendeu a necessidade de desenvolver uma nova ordem mundial baseada na justiça e no respeito a todos os seres humanos, e convidou Cuba e seus universitários a trabalhar junto aos iranianos para conseguir isso. "Temos de estar acordados, alertas. Se não planejarmos a nova ordem do mundo, serão os herdeiros dos donos de escravos e os capitalistas que controlarão e nos imporão o novo sistema", acrescentou.

Posteriormente, e com três horas e meia de atraso em relação ao horário previsto, o presidente cubano, Raúl Castro, recebeu seu colega iraniano no Palácio da Revolução, em Havana.

É possível que o atraso tenha sido causado por uma reunião anterior entre Ahmadinejad e o ex-presidente Fidel Castro, de 85 anos, que se afastou do poder em 2006 por causa de uma doença intestinal. Ahmadinejad confirmou a reunião, segundo a agência EFE.

O líder iraniano disse os dois trataram sobre "muitos temas" e afirmou que continua acompanhando "com detalhes" todos os assuntos regionais e internacionais.

"Foi motivo de grande alegria ver o comandante Fidel são e salvo", disse Ahmadinejad a jornalistas no aeroporto de Havana, onde se despediu do presidente Raúl Castro antes de concluir sua visita oficial a Cuba e viajar com destino ao Equador.

O presidente do Irã classificou como "ótimas" tanto a reunião com Fidel Castro como a que manteve posteriormente com o presidente Raúl, a quem se referiu como "meu querido irmão". "Na realidade estamos em uma mesma frente lutando para reivindicar os direitos dos povos", disse Ahmadinejad.

Ele acrescentou que seu governo e o de Cuba têm "posturas comuns" em muitos assuntos regionais e internacionais e que os dois países continuarão colaborando nas áreas econômicas, de investimentos, comércio e em outros assuntos políticos.

Ahmadinejad visitou a ilha pela primeira vez em setembro de 2006 para participar da 14ª Cúpula do Movimento dos Países Não-Alinhados e, naquela ocasião, também se reuniu com o líder da Revolução Cubana, que se encontrava convalescente da grave doença que o obrigou a delegar o poder a seu irmão Raúl. 

O presidente do Irã compartilha com Cuba sua posição "anti-imperialista" frente aos EUA, o que fez o governo da ilha apoiar em diversas ocasiões o direito do Irã ao uso da energia atômica, desde que seja com fins pacíficos. Por sua parte, Fidel dedicou muitos artigos de sua série "Reflexões" a alertar sobre a possibilidade de que um eventual ataque de EUA e Israel contra o Irã provoque uma guerra nuclear que, segundo sua opinião, teria consequências catastróficas para o planeta.

Quanto à cooperação bilateral, Cuba e Irã realizaram em setembro de 2010 uma reunião em Havana na qual Teerã elevou a 500 milhões de euros sua linha de créditos à ilha para programas de indústria, comércio, energia, saúde, biotecnologia e sistema bancário, entre outros. Depois de Cuba, o presidente iraniano vai ao Equador, na última parte de seu giro latino-americano.

Com EFE

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