Anúncio dos resultados do segundo turno no Zimbábue é adiado

Harare - A publicação dos resultados do segundo turno das eleições presidenciais no Zimbábue foi adiada até segunda-feira, e não se sabe se a cerimônia de posse de Robert Mugabe como presidente será realizada.

EFE |

 "Não podemos dar os resultados. Esperamos poder fazer isso amanhã", disse à Agência Efe Utoile Silaigwana, chefe da Comissão Eleitoral do Zimbábue (ZEC, em inglês).

Silaigwana limitou-se a fazer esta breve declaração e não quis explicar à Efe quais eram as razões pelas quais foi adiado o anúncio dos resultados.

Enquanto isso, o vice-ministro de Informação, Bright Matonga, se mostrou evasivo em relação aos boatos que apontam que hoje Robert Mugabe poderia ser empossado como presidente.

"Não podemos falar de uma inauguração antes que a apuração dos votos tenha acabado", declarou Matonga. "Esperemos que a apuração termine, e então falaremos de investiduras", acrescentou.

Nas últimas horas, cogitou-se que Mugabe queria se proclamar hoje presidente do Zimbábue antes de viajar amanhã ao Egito para assistir a uma reunião da União Africana (UA).

No entanto, várias fontes confirmaram que os dados obtidos em dois terços dos colégios eleitorais refletem uma vitória previsível de Mugabe sobre o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, por uma grande vantagem.

No segundo turno, Mugabe era candidato único. Tsvangirai anunciou que se retirava do pleito a apenas 5 dias de sua realização pela repressão sofrida por seus partidários.

Apesar disto, o nome de Tsvangirai foi mantido nas cédulas, já que as autoridades eleitorais não aceitaram sua decisão de abandonar o pleito faltando poucos dias para a realização do mesmo.

A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) publicou hoje um relatório no qual destacava a situação de tensão vivida no sábado pelas pessoas que não iam votar.

Segundo o documento, "várias pessoas disseram à HRW que nas primeiras horas do dia 28, partidários da Zanu-PF (União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica) iam de porta em porta, forçando o povo a mostrar a tinta de suas mãos como sinal de que tinham votado".

"Quem não tinha tinta nos dedos era levado às sedes da Zanu-PF e eram espancados com bastões e com paus", acrescenta o relatório.

As eleições foram realizadas no Zimbábue sob um forte pressão internacional por parte de organismos como a ONU, a Comissão para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) e o G8 (sete nações mais ricas do mundo e a Rússia), e de países como os Estados Unidos, Reino Unido e França.

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