Anúncio da data de lançamento de satélite norte-coreano aumenta tensão na Ásia

A Coreia do Norte anunciou nesta quinta-feira ter informado aos organismos de transporte internacionais sobre o lançamento de um foguete, possivelmente entre 4 e 8 de abril, com o objetivo oficial de colocar em órbita um satélite de telecomunicações.

AFP |

O regime comunista norte-coreano repassou à Organização Internacional da Aviação Civil (OACI) e à Organização Marítima Internacional (OMI) "as informações necessárias para a segurança de aviões e navios para o lançamento de um satélite de telecomunicações experimental", segundo a agência oficial KCNA.

A KCNA não revelou a data em que Pyongyang informou as instituições, nem o dia do lançamento.

No entanto, o ministério dos Transportes da Coreia do Sul informou que o mesmo acontecerá entre 4 e 8 de abril, já que a OMI revelou às autoridades sul-coreanas que a notificação norte-coreana mencionava estas datas.

Estados Unidos e Coreia do Sul pediram nas últimas semanas ao regime de Pyongyang que renuncie ao projeto, pois temem que na realidade envolva o teste de um míssil de longo alcance.

As especulações são intensas há várias semanas sobre a natureza exata do foguete norte-coreano.

Pyongyang provocou uma crise internacional em 1998, quando disparou um míssil de longo alcance Taepodong-1 que sobrevoou o Japão antes de cair no Oceano Pacífico.

Na época, a Coreia do Norte também anunciou que se tratava de um "artefato lançador de satélites".

Tóquio, na defensiva desde então, já afirmou que pretende derrubar qualquer projétil norte-coreano que se dirija ao Japão.

O diretor da inteligência americana Dennis Blair, porém, declarou na terça-feira, durante uma audiência no Senado dos Estados Unidos, estar convencido de que desta vez a Coreia do Norte pretende efetivamente realizar um lançamento dentro de seu programa espacial.

A Rússia informou nesta quinta-feira que a Coreia do Norte aderiu na semana passada o Tratado sobre o Espaço Exterior, um acordo internacional que data de 1967 e proíbe a presença de armas de destruição em massa no espaço.

Fontes americanas e sul-corenas afirmaram mês passado que Pyongyang pretendia testar, a partir das instalações de Musudan-ri, o míssil de longo alcance Taepodong-2, que em tese tem capacidade de alcançar o Alasca.

Dotado de armas atômicas, Pyongyang está em negociações complexas com Seul, Washington, Tóquio, Pequim e Moscou para desmantelar suas instalações nucleares.

Na segunda-feira, a Coreia do Norte ameaçou com uma guerra caso o satélite que pretende lançar em breve seja interceptado.

"Disparar contra nosso satélite, destinado a fins pacíficos, significará uma guerra", advertiu um porta-voz do Estado-Maior do Exército Popular da Coreia, em um comunicado divulgado pela agência oficial KCNA.

Pyongyang também anunciou que colocou suas tropas em estado de alerta, no primeiro dia de manobras conjuntas dos Estados Unidos e da Coreia do Sul na região, o que o regime comunista considera o prenúncio de uma invasão de seu território.

lim/fp

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