Antropóloga francesa Germaine Tillion morre aos 100 anos de idade

(corrige guia) Paris, 19 abr (EFE).- A antropóloga francesa Germaine Tillion, que estudou aos bérberes na Argélia nos anos 30 e foi um destaque da Resistência à ocupação nazista da França na Segunda Guerra Mundial, morreu hoje aos 100 anos.

EFE |

Tillion morreu em sua casa de Saint-Mande, nos arredores de Paris, informou a associação que tem seu nome.

Nascida em 30 de maio de 1907, ela era uma das mulheres mais condecoradas da França e uma das cinco que receberam a Grande Cruz da Legião de Honra.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, rendeu tributo a "uma mulher de exceção, cujo valor, compromisso e humanismo" o guiaram ao longo de toda sua vida.

Em declaração, homenageou "a resistente que foi levada ao campo de Ravensbrück e que nunca perdeu a esperança, a antropóloga apaixonada pela África do Norte e o Oriente Médio, a autora prolixa e a mulher comprometida com o combate político e a emancipação das mulheres e contrária a toda forma de tortura".

Da Argélia, onde realizou várias missões como antropóloga pioneira nos anos 30, Tillion voltou à França em 1940 após a derrota e a capitulação francesas diante dos nazistas.

Depois se envolveu na Resistência, com a criação em Paris da primeira rede de resistentes.

Detida em 1942 por causa de uma delação foi presa e depois acabou deportada para o campo de concentração nazista de Ravensbrück, onde morreu sua mãe.

Depois da Segunda Guerra Mundial investigou os crimes de guerra nazista e os campos de concentração stalinistas na União Soviética, antes de se concentrar na guerra da Argélia na segunda metade dos anos 50.

Investigou a tortura, as execuções e os lugares de detenção e, durante a batalha da Argélia, em 1957, conseguiu, graças a um encontro secreto com o chefe militar nacionalista da região da capital, que os atentados fossem interrompidos durante algumas semanas.

Após este conflito, a antropóloga, que diria em uma ocasião que nesta "era de descolonização generalizada, o imenso mundo feminino continua sendo uma colônia em muitos aspectos", se dedicou a outras causas, como a emancipação da mulher no Mediterrâneo.

Em 2004, iniciou com outros intelectuais um movimento contra a tortura no Iraque.

Entre suas obras se destacam "RavensbrUck" (1973, atualizado em 1988) sobre o fenômeno dos campos de concentração, sua autobiografia "Il était une fois l'ethnographie" (2000), e "Le harem et les cousins", um estudo sobre o casamento no Magrebe. EFE al/fal

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