Antropóloga brasileira quer tipificar crime de genocídio contra mulheres

Madri, 16 set (EFE) - A antropóloga Rita Segato se mostrou hoje favorável a tipificar juridicamente o crime de genocídio contra as mulheres, por entender que facilitaria a tarefa de policiais e juristas na hora de enfrentar esse tipo de delito. Segato participou hoje de um seminário da Casa da América sobre a violência entre gêneros, onde falou sobre os assassinatos em massa de mulheres em vários países da América Central. Embora tenha dito que não conhece detalhadamente a violência contra mulheres na Europa, a especialista ressaltou que, neste caso, ocorre mais no contexto de relações entre pessoas, enquanto na América o fenômeno está mais estruturado. Dos assassinatos de mulheres em Ciudad Juárez há anos se passou a fenômenos similares em Guatemala, El Salvador e Honduras, segundo Segato, que rejeitou que seja uma violência exercida com objetivos como o tráfico de órgãos ou a pornografia na internet. Em sua opinião, é uma violência expressiva, com a qual os criminosos querem comunicar seu domínio, sua capacidade de matar e afirmar seu controle sobre um território. A antropóloga ressaltou que desde tempos imemoráveis o gênero feminino está associado ao território e, por isso, há séculos os guerreiros vitoriosos levavam as mulheres dos derrotados como parte do prêmio. Para enfrentar isso, essa violência generalizada contra mulheres em alguns pontos da América deveria ser explicada à população, de modo que a compreenda e saiba que há uma razão...

EFE |

A antropóloga acredita que entre homens e mulheres há uma "assimetria" que concede aos primeiros um maior poder frente a estas.

"É preciso identificar o forte e o fraco", segundo Segato, que considera que, em determinadas sociedades, o homem é pressionado para ser mais agressivo, o que influi em sua atitude perante as mulheres.

Segato disse que o 3º Fórum Social das Américas, que ocorrerá na Guatemala em outubro, terá um seminário sobre a violência contra as mulheres, com a participação de associações que debaterão sobre a maneira de fazer avançar a idéia do crime penal de genocídio contra as mulheres. EFE jgb/db

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