Londres, 4 mar (EFE).- Um grupo de cientistas descobriu que a administração de um composto antimicrobiano a macacos pode protegê-los do vírus da imunodeficiência símia (SIV), equivalente ao HIV dos humanos, o que abre as portas para o desenvolvimento de um tratamento preventivo contra a aids.

Em um estudo publicado hoje na versão digital da revista britânica "Nature", uma equipe de pesquisadores da Universidade de Minnesota (EUA), liderada por Ashley Haase, afirma que o antimicrobiano monolaurato de glicerol pode prevenir o contágio do SIV por via vaginal, graças a sua capacidade de inibir a resposta imunológica do organismo infectado.

Após um organismo ser exposto a este vírus, o corpo desenvolve uma resposta defensiva que manda as células T (um tipo de glóbulos brancos que ajudam ao corpo a combater doenças ou substâncias daninhas) para o lugar da infecção a fim de combatê-la.

No entanto, após entrar em contato com elas, o SIV - e também o HIV - utiliza estas células para espalhar o vírus por todo o corpo.

Deste modo, depois que estas células - que são as encarregadas de coordenar a resposta ao vírus - ficam inutilizadas, o corpo passa a estar totalmente indefeso diante do avanço do SIV.

Para evitar isso, Haase afirma que o tratamento com monolaurato de glicerol neutraliza o sistema imunológico do indivíduo e, assim, o contágio e expansão do vírus.

A equipe de pesquisa dividiu dez macacos em dois grupos e aplicou na metade deles um gel composto de monolaurato de glicerol por via vaginal.

Uma hora depois, os dois grupos receberam a injeção de uma alta dose do SIV e receberam a pomada.

Após repetir quatro vezes este passo, os cientistas vigiaram e analisaram os macacos durante duas semanas, ao término das quais comprovaram que nenhum dos macacos que tinham recebido o tratamento preventivo tinha se infectado.

No outro grupo, que não tinha sido tratado, contraíram o SIV quatro dos cinco animais participantes do experimento.

Segundo os pesquisadores, esta conquista abre um novo caminho para a prevenção da aids por contágio vaginal, via pela qual ocorre a maior parte das novas infecções no mundo todo. EFE avh/an

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