Denver (EUA.), 24 ago (EFE).

- Um antigo mapa, pintado por índios mexicanos no século XVI, se transformou em uma peça-chave para conhecer as viagens dos povos mesoamericanos da América do Norte para a Central, segundo o doutor David Carrasco, da Universidade de Harvard.

"Cinco anos de pesquisas e o trabalho de 15 especialistas em história mesoamericana demonstram que este documento, o Mapa de Cuauhtinchán 2 (MC2), com mais de 700 imagens coloridas, revela algo assim como a Odisséia e a Ilíada Mesoamericana", disse à agência Efe Carrasco em uma conversa telefônica.

"Este mapa revela as histórias sagradas, as peregrinações, as guerras, a medicina, as plantas, os casamentos, os rituais e os heróis da comunidade de Cuauhtinchán, ou seja, o Lugar do Ninho da Águia (hoje no estado de Puebla, México)", acrescentou.

O Mapa de Cuauhtinchán mede 109 por 204 centímetros e se pintou sobre papel amate provavelmente por volta do ano 1540, só duas décadas depois da conquista espanhola ao México.

A origem do documento parece ser uma disputa entre os nativos e os conquistadores sobre a propriedade das terras em Cuauhtinchán e em zonas divisórias, como resultado do processo de evangelização que começou a partir de 1527 e que se intensificou em 1530 com o início da construção do primeiro convento nessa localidade, que aparentemente levou ao desmantelamento do templo indígena.

"A história começa em uma cidade sagrada sob ataque e segue com o povo de Aztlán que vem resgatar a cidade e que, como recompensa, recebe sabedoria divina para viajar uma grande distância até encontrar sua própria cidade na terra prometida", explicou Carrasco.

Essa cidade sagrada e a terra originária de Aztlán estariam no que hoje é o sudoeste dos Estados Unidos.

O doutor Ramón del Castillo, poeta e diretor do Centro de Estudos Chicanos na Universidade Metropolitana de Denver (MSCD) afirma que "o Mapa de Cuauhtinchán revitalizou o conceito de Aztlán (como terra original dos antepassados dos mexicanos) e essa idéia já não é um mito mas uma realidade".

A equipe continua estudando os objetos sagrados e as numerosas plantas que aparecem no mapa.

"Este mapa é um tesouro para os acadêmicos porque revela com esplendor artístico e em detalhe a maneira de viver de uma comunidade indígena que expressou sua própria narrativa no meio de um sério conflito social", concluiu. EFE fm/fk

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