Miami, 30 mar (EFE).- Uma juíza americana fixará a data do julgamento contra o cubano naturalizado venezuelano Luis Posada Carriles por suposta fraude migratória e falso testemunho em uma audiência judicial no próximo dia 7 em um tribunal do estado do Texas, disse hoje à agência Efe seu advogado.

"Ainda será estabelecida uma data para ir ao julgamento pela acusação de declarações falsas", informou Arturo Hernández, advogado de Posada Carriles, acusado de terrorismo por Cuba e Venezuela e um conhecido anticastrista.

A audiência será presidida pela juíza Kathleen Cardone em um tribunal da cidade americana de El Paso.

Em maio de 2007, Cardone concedeu a liberdade a Posada Carriles depois de descartar a prova principal do caso: as transcrições da reunião de solicitação de nacionalidade americana do ex-agente da CIA (agência de inteligência americana) com funcionários de imigração por considerar que não sustentavam a acusação.

Entretanto, a Promotoria Federal recorreu da decisão perante o Tribunal de Apelações do Quinto Circuito de Nova Orleans, instância que ordenou o julgamento de Posada Carriles em 2008.

Na segunda-feira, a Corte Suprema dos EUA se negou a reconsiderar essa decisão e agora a corte de El Paso deve reabrir o caso.

Posada Carriles, naturalizado venezuelano, foi detido em março de 2005 em Miami por entrar de forma ilegal nos EUA.

As autoridades americanas o acusam de tentar obter a cidadania do país por meio de declarações falsas em sua solicitação, apresentada no dia 10 de setembro de 2005.

O documento judicial também indica que Posada Carriles forneceu falso testemunho sob juramento em uma entrevista a funcionários do Departamento de Segurança Nacional americano em abril de 2006.

Entre as supostas mentiras, Posada Carriles declarou que entrou no país como imigrante ilegal por terra através da região das cidades de Matamoros (México) e Brownsville (EUA).

Porém, uma testemunha afirmou em 2007 que Posada Carriles chegou aos EUA em um barco procedente da Ilha Mujeres (México).

A Venezuela acusa Posada Carriles de ser o suposto autor intelectual da explosão de um avião da empresa Cubana de Aviación em 1976 no qual 73 pessoas morreram.

Cuba também o responsabiliza por esse fato e pelos atentados com bombas a hotéis na ilha caribenha em 1997.

O Governo venezuelano solicitou sua extradição, mas Posada Carriles conseguiu o adiamento de uma ordem de deportação por sua entrada ilegal aos Estados Unidos.

A ordem foi emitida depois da adoção do Convênio Internacional de Proteção contra a Tortura. Como Posada Carriles alega que seria torturado caso volte a Cuba ou Venezuela, o documento prevê que ele pode continuar nos EUA. EFE so/bba

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