Antibióticos usados em bebês prematuros podem causar surdez

Londres, 5 fev (EFE).- Certos antibióticos potentes com os quais se tratam bebês prematuros nas maternidades podem causar surdez a crianças com mutação genética relativamente desenvolvida.

EFE |

A descoberta foi feita por uma equipe do Institute of Child Health (Instituto de Saúde Infantil) da University City London, que publica os resultados de seu estudo no New England Journal of Medicine.

Trata-se dos chamados antibióticos aminoglicosídeos utilizados para tratar certas infecções, mas podem afetar funções renais e o sistema auditivo do indivíduo, motivo pelo qual é preciso usá-los sempre com cuidado.

No entanto, algumas crianças herdam uma mutação mitocôndrica - o m.1555A G-, formando um grupo com incidência muito alta de perda de audição, embora os antibióticos se administrem em uma dose que em outras crianças podem se considerar baixas.

No Reino Unido, cerca de 20 mil crianças nascidas prematuras são tratadas anualmente com esses antibióticos, que se utilizam também para combater infecções em pacientes de câncer e de doenças crônicas como a fibrose cística.

Os especialistas em genética, que estudaram mostras de sangue de mais de 9 mil crianças, descobriram que um em cada 500 delas tinha a mutação genética que a tornava vulnerável a esses antibióticos de amplo espectro.

Em sua carta ao New England Journal of Medicine, a geneticista que dirigiu o estudo, Maria Bitner-Glindzicz, afirma que todas as crianças afetadas "sofrem surdez permanente".

"É possível que haja mais crianças que tenham sofrido algum tipo de surdez menos grave e que não tenham chamado a atenção dos médicos. Os adultos podem também ser afetados. Se um tiver essa mutação e receber esse tipo de antibiótico, pode sofrer esses efeitos rápidos e extremos", escreve a cientista.

Ela propõe examinar as crianças expondo a um tratamento com esses antibióticos, por exemplo, as que sofrem de leucemia ou fibrose cística, para ver se sofrem essa mutação, lhes receitando algum remédio diferente.

O problema, reconhece a geneticista, é o tempo que se demora para conseguir os resultados genéticos quando se apresenta um caso urgente, sobretudo nas unidades de recém-nascidos.

Por isso, recomenda estudar a possibilidade de testes pré-natais nas mães embora seja algo. EFE jr/jp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG