Por Jeffrey Heller JERUSALÉM (Reuters) O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse no domingo que já informou aos EUA, por escrito, que Israel não pretende parar as obras de assentamentos judeus em Jerusalém, dando mostras do tom de sua visita aos Estados Unidos, nesta semana.

O tema delicado dos assentamentos, aliado ao aumento da violência na Cisjordânia, onde quatro palestinos morreram nos últimos dois dias, têm sido um desafio para o enviado especial dos EUA, que está tentando fazer com que as conversações de paz indiretas sejam retomadas.

"Nosso plano de ação para Jerusalém é o mesmo adotado por todos os governos israelenses há 42 anos e não sofreu mudanças. Entendemos que construir em Jerusalém é a mesma coisa do que construir em Tel Aviv", declarou Netanyahu neste domingo.

"Acredito que seja muito importante que esse assunto não se torne tema de especulação. Portanto, tomei a iniciativa de escrever uma carta à secretária de Estado dos EUA para que as coisas fiquem claras."

Hillary Clinton e Netanyahu falaram por telefone na quinta-feira, numa tentativa de neutralizar uma discussão verbal entre EUA e Israel sobre os assentamentos nas áreas em torno de Jerusalém Oriental, área conquistada por Israel durante a guerra de 1967.

A declaração de Israel de que pretende construir 1.600 casas para assentamentos judeus, feita durante uma visita do vice-presidente norte-americano, Joe Biden, a Israel, há duas semanas, constrangeu Washington e atrasou o início das conversações de paz indiretas com os palestinos.

Mas, numa tentativa de baixar o tom de Washington na pior discussão com Israel desde que o presidente dos EUA, Barack Obama, assumiu o posto no ano passado, Hillary disse na semana passada que Netanyahu respondeu de forma "útil e produtiva" às suas preocupações.

Ela não entrou em detalhes. A imprensa israelense disse que Hillary não conseguiu convencer Netanyahu a arquivar os planos de novos assentamentos, mas que ele prometeu tomar diversas medidas como libertar prisioneiros palestinos e reduzir o bloqueio à Faixa de Gaza.

Netanyahu vai aos EUA no domingo, depois de conversar com o enviado especial norte-americano para o Oriente Médio, George Mitchell, sobre a retomada das conversações de paz que foram suspensas desde dezembro de 2008.

Ele planeja falar com o grupo de apoio a Israel --AIPAC-- na segunda feira. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban ki Moon, disse durante uma visita a Gaza que Netanyahu também pretende se encontrar com Obama, mas Israel e EUA não confirmaram esse encontro.

No último conflito com vítimas na Cisjordânia, soldados israelenses mataram dois palestinos que tentaram esfaquear soldados israelenses, segundo declarações do Exército.

No sábado, soldados atiraram em dois adolescentes palestinos, que lançavam pedras durante um protesto contra a política de assentamentos israelense, que segundo os palestinos os priva de um Estado palestino. Um adolescente foi morto e o segundo morreu devido aos ferimentos no domingo.

Os palestinos declararam que se recusam a negociar até que Israel congele a sua política de construção de assentamentos.

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