Antes de ir à Assembleia, palestinos darão tempo a Conselho de Segurança

Negociador diz que, antes de tentar status de observador na Assembleia Geral, palestinos deixarão ONU discutir adesão plena

iG São Paulo |

O negociador palestino Nabil Shaath disse nesta quarta-feira que o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas, daria "algum tempo ao Conselho de Segurança para avaliar nosso pedido de adesão plena (à ONU) antes de recorrer à Assembleia Geral".

As declarações foram feitas em meio ao aumento de pressão para que os palestinos desistam de pedir o reconhecimento como Estado pela ONU, status que só pode ser concedido pelos 15 membros (dos quais cinco permanentes, com direito a veto) do Conselho de Segurança da ONU.

Abbas entregará ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o pedido de adesão total à organização na sexta-feira, após discursar perante a Assembleia Geral da ONU. Os EUA ameaçaram vetar a iniciativa caso ela seja aprovada por nove dos 15 membros do Conselho de Segurança.

Com o provável fracasso da tentativa de obter o reconhecimento completo, os palestinos devem então pedir à Assembleia Geral da ONU que aprove a mudança de seu status de "entidade" para "Estado observador não-membro" - que é usufruído por outros, como o Vaticano, e contra o qual um veto não é possível. Para aprovar a mudança, precisariam de dois terços dos 193 votos da Casa.

A posição dos palestinos sobre sua iniciativa na ONU foi mantida em meio a uma crescente pressão para que desistam da medida. Em discurso perante à Assembleia Geral em Nova York, o do presidente dos EUA, Barack Obama, pressionou Israel e os palestinos a retomar as negociações de paz. " Não há atalho para o fim de um conflito que se prolonga por décadas. A paz é um trabalho duro. A paz não será alcançada por meio de declarações e resoluções nas ONU", disse.

A mensagem foi ecoada pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, que propôs que a ONU conceda aos palestinos o status de Estado observador, enquanto se estabelece um mapa para a paz dentro de um ano .

As declarações de Sarkozy precederam às da presidenta brasileira, Dilma Rousseff , que defendeu o reconhecimento de um Estado palestino pela ONU. Enquanto Obama não pediu por pouco que os palestinos desistam de obter a adesão plena, Sarkozy manteve um tom mais conciliador, conclamando cada um dos lados e a comunidade internacional a abordar o processo com novas ideias e táticas.

No mapa do caminho para a paz, Sarkozy disse que as negociações deveriam começar dentro de um mês, em seis meses seria fechado um acordo sobre as fronteiras e a segurança, enquanto o acordo definitivo seria selado em um ano.

A proposta é parecida com uma apresentada pela representante da União Europeia para as Relações Exteriores, Catherine Ashton, durante conversações que manteve esta semana com líderes palestinos, israelenses e funcionários americanos, disseram as fontes diplomáticas.

As negociações israelo-palestinas, patrocinadas pelos EUA, foram bloqueadas no ano passado, quando Israel pôs um ponto final a uma moratória para a construção de assentamentos em territórios ocupados.

*Com AP, EFE e AFP

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