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Ante a ameaça do exército israelense, Ziyad, 9 anos, quer morrer mártir

Em resposta à mãe que lhe suplica da varanda para entrar imediatamente, Ziyad, de nove anos, responde: não tenha medo, mamãe, prefiro morrer como mártir do que viver neste terror.

AFP |

Ziyad perambula pelo bairro de Zeitun no leste da cidade de Gaza, no limite do qual os carros de combate israelenses tomaram posição na noite de sábado, enfrentando-se desde então com combatentes do Hamas que lançam daí foguetes e obuses de morteiro.

A poucos metros de um carro de milicianos do Hamas destruído por um obus israelense, Ziyad nega-se a entrar em casa, apesar dos chamados de sua mãe.

"Os aviões israelenses podem atacar a qualquer momento", grita ela, em vão.

Fugindo aos combates, dezenas de famílias de Zeitun abandonaram o bairro segunda-feira para refugiar-se em casa de familiares em zonas mais próximas ao centro da cidade de Gaza.

"Por favor, tire-nos daqui", grita Oum Assad Hamudeh, acompanhada da filha e dos netos, pedindo carona a um carro que passa.

A casa desta mulher de cerca de 50 anos está na extremidade do bairro, junto ao "velho mercado de carros de segunda mão".

Colunas de fumaça se elevam no setor.

"Passamos alguns dias sem dormir porque os tanques israelenses estão a alguns metros de nossa casa. Os obuses de morteiro e os disparos não pararam durante toda a noite. Vamos para a casa de parentes em Al-Rimal", no centro de Gaza, afirma Oum Assad Hamudeh.

Uma mulher, visivelmente ansiosa, leva nos braços um bebê que não pára de chorar.

"Conseguimos sair de nossa casa por milagre, mas tínhamos que nos arriscar por causa das crianças", afirma.

O outro menino, de cinco anos, agarra o vestido da avó. "Vamos embora, senão vão atacar de novo e Fátima vai chorar", diz.

Nas ruas do bairro, onde a maioria das lojas permanecem fechadas, jovens sentados no meio-fio falam do avanço da ofensiva israelense.

Várias explosões começam a abalar o bairro e as pessoas correm em busca de abrigo.

Os carros que circulam são poucos, mas os que procuram um meio para fugir são muitos.

Abu Rami, de 40 anos, está à beira de uma crise de nervos.

"Tento encontrar um carro para sair daqui com minha família. Meus filhos viveram tantos horrores que precisam de um psicólogo. Talvez eu precise mais do que eles, inclusive", desabafa.

A diretora do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para o Oriente Médio, Sigrid Kaag, afirmou durante entrevista à imprensa nesta segunda-feira em Amã que "a crise humanitária devido à violência atual em Gaza afeta em primeiro lugar as mulheres e as crianças".

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