Antanas Mockus diz que pesquisas o "iludiram"

Ao contrário do que se esperava, candidato governista vence com folga primeiro turno da eleição colombiana

iG São Paulo |

Reuters
Mockus fala aos eleitores após divulgação dos resultados
O candidato à presidência da Colômbia pelo Partido Verde, Antanas Mockus, afirmou nesta segunda-feira que as pesquisas o iludiram sobre a possibilidade de ganhar a eleição no primeiro turno. Segundo ele, será difícil reverter a vantagem do governista Juan Manuel Santos, do Partido Social da Unidade Nacional.

Em entrevista à rádio RCN, Mockus disse que as pesquisas, que previam um empate entre ele e Santos no primeiro turno, o "iludiram". "A realidade da votação efetiva é a que conta. Estamos perplexos", afirmou.

Para ele, o "voto rural" não estava refletido nas pesquisas das semanas prévias às eleições, que foram feitas nas cidades e em municípios pequenos.

Santos, ex-ministro da Defesa do presidente Álvaro Uribe, foi o mais votado, com 46,5% dos votos, mas não alcançou a maioria absoluta e terá que disputar a presidência em segundo turno no dia 20 de junho com Mockus, que obteve 21,5% dos votos.

"Não esperava um resultado tão folgado" a favor de Santos, reconheceu Mockus em outra entrevista à rádio Caracol. Ele destacou, porém, que "há cinco meses o grande objetivo era ir para o segundo turno", o que foi alcançado. Em abril deste ano, Mockus reconheceu que sofre do mal de Parkinson , ainda em estágio inicial. Segundo seus médicos, a doença está controlada com remédios e seus sintomas só começarão a afetar o cotidiano do político em 12 anos.

Resultados

Em terceiro lugar ficou o candidato do partido Mudança Radical, Germán Vargas Lleras, com 10,13% dos votos. O esquerdista Gustavo Petro, do Polo Democrático Alternativo, recebeu 9,15%.

A boa votação de Vargas também foi uma surpresa, e seu apoio deve ser cobiçado no segundo turno. No passado, ele já declarou que, se não fosse candidato, votaria em Santos.

Em um emocionado discurso, cheio de elogios a Uribe, Santos pediu união aos seus seguidores, e acenou com uma coalizão com os partidos Mudança Radical, Conservador e Liberal, para que "nossa economia cresça com igualdade, como deve ser, para liderar a transformação social da Colômbia, derrotar a pobreza e gerar oportunidades de prosperidade para todos", disse o candidato.

Mockus, por sua vez, se disse confiante numa virada. "Com este segundo turno temos a oportunidade de avançar rumo a uma profunda transformação cultural que liberte nosso país da violência, do narcotráfico e do clientelismo", declarou.

Cerca de 30 milhões de colombianos estavam habilitados a votar, e a abstenção ficou em torno da média histórica de 50% --o voto é facultativo.

O ministro da Defesa, Gabriel Silva, disse que esta foi "a jornada eleitoral mais tranquila nos últimos 30 anos, isso nos orgulha".

Sucessão de Uribe

Em nota, Uribe disse que a Colômbia "recuperou a liberdade política que esteve sequestrada pelo terrorismo". "Obrigado, Forças Armadas; obrigado, cidadania", acrescentou.

Alvo de críticas da esquerda e de organizações sociais, Uribe que se tornou o principal aliado dos Estados Unidos na região terminará seu controverti edo mandato com cerca de 68% de popularidade.

Seu sucessor receberá um país mais seguro que há oitos anos, porém com 20 milhões de pobres, em uma população de 44 milhões, com 3,5 milhões de pessoas vítimas de deslocamento forçado em consequência do conflito armado, com 12% de desemprego, um dos mais altos índices da América Latina e com uma crise de credibilidade institucional.

Com EFE, Reuters e BBC Brasil

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