Ano Novo violento no Afeganistão

Quatro atentados suicidas no Afeganistão, que mataram pelo menos 11 pessoas, marcaram o Ano Novo dos afegãos, que pediam paz e a saída dos soldados estrangeiros, que são alvo de uma revolta cada vez maior entre a população, que não perdoa a morte de muitos civis.

AFP |

No leste do Afeganistão, na fronteira com o Paquistão, seis pessoas - um policial e cinco civis - morreram sábado em um atentado suicida na província de Nangarhar contra um posto da polícia, ato reivindicado pelos talibãs.

O presidente afegão Hamid Karzai condenou o ato.

"Inimigos do Afeganistão, ao executar esta ação terrorista no dia em que os afegãos celebram o Ano Novo em paz, demonstram que eles não têm nenhum objetivo a não ser destruir o Afeganistão", afirmou.

Pelo menos duas pessoas morreram na explosão de um carro-bomba ao lado de um templo na província de Khost, também no leste do país, em meio a centenas de pessoas que haviam se reunido para celebrar o Ano Novo.

Um jipe se aproximou do templo e a carga foi detonada, de acordo com testemunhas.

Além disso, duas bombas colocadas em estradas explodiram na província de de Kandahar, sudeste do país e um reduto talibã, cenário frequente de ataques.

A primeira, que tinha como alvo militares afegãos, matou um civil que passava pelo local.

A outra bomba atingiu um veículo civil e matou duas pessoas, além de ter deixado três feridos, segundo as autoridades locais.

Ao mesmo tempo, no norte del país, mais de 100.000 afegãos procedentes de todas as regiões e etnias - pashtuns, tadjiques, hazaras e uzbeques - se reuniram neste sábado em Mazar-i-Sharif para celebrar o Ano Novo persa, ou "Nawroz", que coincide com o equinóccio da primavera.

Em meio aos pedidos de paz e segurança, muitos afegãos adicionaram outra solicitação na entrada do ano 1388 de seu calendário: a saída dos soldados estrangeiros.

"Desejo que meu país seja libertado das garras dos soldados estrangeiros, que matam inocentes", afirma Khatem Khan, da província oriental de Khost, perto da mesquita de Mazar-i-Sharif.

Natural de Kandahar, berço dos talibãs, Mohamed Nasrula descreve um cotidiano difícil.

"Em Kandahar, não temos paz. Ou são os talibãs os que nos matam, ou são os soldados estrangeiros. Gostaria de enviar minhas filhas à escola, mas não posso pela insegurança", conta.

Quase 75.000 soldados estrangeiros estão mobilizados no Afeganistão em duas forças multinacionais, uma sob comando dos Estados Unidos e outra da Otan, para combater a insurreição dos talibãs, que no entanto não para de avançar no sul do país.

A Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), sob comando da Otan, perdeu cinco soldados no sul do país na sexta-feira.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aprovou o envio de 17.000 soldados adicionais ao país, que se unirão aos 38.000 militares americanos já presentes no Afeganistão.

O Exército afegão informou que matou 13 talibãs na noite de sexta-feira.

br-sg/fp

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