Ano do boi dá esperança à China contra a crise

Marga Zambrana. Pequim, 26 jan (EFE).- Em meio a um bombardeio de fogos de artifício, os chineses celebraram o ano novo lunar, sua maior festa, que corresponde desta vez ao ano do boi, um dos 12 animais do horóscopo chinês, que para eles significa o trabalho, o esforço e o sucesso, virtudes com as quais esperam superar a crise econômica.

EFE |

Pela manhã, retomou-se o estrondo dos foguetes com os quais os chineses deram as boas-vindas ao ano novo, uma tradição para afugentar os maus espíritos e se despedir do ano anterior, que foi o do rato.

O primeiro dia do ano, ou "bainian", é dedicado a visitar a família e a ir aos templos para pedir boa sorte no ciclo que começa, assistir às danças de dragões e leões e aos espetáculos de títeres e de ratos amestrados.

As feiras dos templos durante o festival da Primavera -o "Chun Jie", que começa hoje- são uma autêntica concentração da cultura tradicional chinesa, difícil de se ver em outro momento do ano.

Em Pequim, o templo da Terra e os taoístas de Dongyuemiao e Baiyunguan receberam hoje milhões de pequineses em busca de acolhimento espiritual para começar o ano.

"Por sorte, neste ano não faz tanto frio quando no passado", ressaltou à agência Efe um pequinesa no templo de Dongyuemiao.

Um dos pratos típicos deste dia é o "labazhou", uma sopa doce de arroz e outros cereais como uma espécie de milho, sorgo e cevada, que pode se degustar nos templos.

Como marca a tradição, a grande celebração começou assim que caiu a primeira noite de lua nova após o solstício de inverno, e depois dos banquetes familiares de fim de ano -"nianyefan", em chinês- os foguetes explodiram no céu para saudar o ano 4707, segundo o calendário local.

Ao contrário das regiões rurais, onde a crise é sentida com grande força depois que mais de 8 milhões de pessoas voltaram para casa sem trabalho pelo fechamento de fábricas, o consumo nas grandes cidades chinesas aumentou bastante no último dia do ano.

No domingo, 230 mil caixas de foguetes foram vendidas em Pequim, 28% a mais do que no ano anterior, e na metrópole oriental de Xangai, 30 mil varredores tiveram que retirar hoje as 1,2 mil toneladas de escombros dos fogos de artifício, segundo dados da agência de notícias "Xinhua".

Somente em Pequim, os comércios fecharam ontem com um faturamento somado de US$ 85,2 bilhões pelas compras de última hora, 13,4% a mais do que no ano passado.

O caráter familiar faz do festival da Primavera "Chun Jie" a maior festa do mundo em viagens, com 2,23 bilhões de deslocamentos previstos para 40 dias, o que equivale a toda a população italiana -58 milhões de pessoas- viajar em um único dia.

Isto tudo acontece embora neste ano as reuniões familiares estejam marcadas pela crise, com 6,5% dos 130 milhões de migrantes internos desempregados, segundo dados do Ministério da Agricultura.

Porém, no país mais povoado do mundo os números não deixam de crescer em ritmo demográfico, e o Ministério de Ferrovias prevê para este festival 188 milhões de passageiros, 8% a mais do que em 2008.

Já em família, os chineses assistiram, como a cada ano, à festa da Televisão Central China (CFTV) e, em seguida, começaram a enviar mensagens de texto de celulares a todos seus contatos.

As operadoras de telecomunicações estimam que de ontem até 31 de janeiro, os chineses deverão enviar 18 bilhões de mensagens, 10 bilhões a mais do que no ano passado.

A mensagem de moda este ano é "happy niu year", um trocadilho que mistura a felicitação em inglês "feliz ano novo" e a palavra "niu", que significa "boi" em mandarim.

Os diretores do Partido Comunista chinês fizeram, desde ontem, viagens carregadas de simbologia: o presidente Hu Jintao foi à província oriental de Jiangxi para se reunir com os veteranos da Guarda Vermelha e operários-modelos da antiga base revolucionária quando os comunistas celebram 60 anos de Governo.

Enquanto isso, o primeiro-ministro Wen Jiabao se reuniu com os desabrigados do terremoto de maio em Sichuan. EFE mz/jp

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