Annan, Carter e Machel advertem sobre situação do Zimbábue

Johanesburgo, 24 nov (EFE).- Kofi Annan, Jimmy Carter e Graça Machel advertiram hoje que a situação do Zimbábue é muito grave e que o país pode quebrar, segundo o presidente da África do Sul, Kgalema Motlanthe, após um encontro com esses três membros do chamado Grupo dos Sábios, do qual também faz parte o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

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Annan, ex-secretário-geral da ONU; Carter, ex-presidente dos Estados Unidos, e Machel, ativista de direitos humanos, a quem o regime do presidente zimbabuano, Robert Mugabe, impediu que viajassem ao país na semana passada, se encontraram hoje com Motlanthe para conversar sobre a situação do Zimbábue, onde 5 milhões de pessoas passam fome.

Johanesburgo, 24 nov (EFE).- Kofi Annan, Jimmy Carter e Graça Machel advertiram hoje que a situação do Zimbábue é muito grave e que o país pode quebrar, como ressaltou o presidente da África do Sul, Kgalema Motlanthe, após um encontro com esses três membros do chamado Grupo dos Sábios, do qual também faz parte o ex-presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso.

Annan, ex-secretário-geral da ONU; Carter, ex-presidente dos Estados Unidos, e Machel, ativista de direitos humanos, a quem o presidente zimbabuano, Robert Mugabe, impediu que viajassem ao país na semana passada, se encontraram hoje com Motlanthe.

Eles conversaram sobre a situação do Zimbábue, onde 5 milhões de pessoas, quase metade dos 12 milhões de habitantes, passam fome.

A situação no Zimbábue pode ficar ainda pior se nenhuma medida for tomada imediatamente para solucionar a crise política e econômica que assola o país, declarou Motlanthe aos jornalistas após a reunião com o Grupo dos Sábios, membros de um grupo de 12 criado em 2007 por Machel e seu marido, o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela.

Após a reunião, o presidente sul-africano destacou que se um Governo legítimo não for formado no Zimbábue, "a situação humanitária piorará", tudo ao mesmo tempo, segundo o Grupo dos Sábios.

Motlanthe também disse que tentou entrar em contato com Mugabe para facilitar a visita do Grupo ao Zimbábue, mas não recebeu nenhuma resposta do presidente zimbabuano, cujo regime chamou o grupo de "partidário" e destacou que não é o momento adequado para uma ação deste tipo.

Annan, Carter e Machel ressaltaram que a situação no Zimbábue é "realmente desesperadora" pela falta de alimentos e no campo da saúde, pois há uma epidemia de cólera que não é atendida e que já causou pelo menos 300 mortes, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), explicou Motlanthe.

O ex-secretário-geral da ONU, que juntamente com seus companheiros tenta buscar ajudas para a população zimbabuana, pediu que os líderes africanos ajudem a conter a epidemia de cólera no Zimbábue e que pode se estender a outros países vizinhos se não for atendida adequadamente.

Os três membros do Grupo dos Sábios também se reuniram com o líder do partido Congresso Nacional Africano (CNA), Jacob Zuma, o candidato com maiores chances de ser eleito presidente da África do Sul nas eleições de 2009 e que também disse que "é necessário agir já" para resolver a crise no Zimbábue.

"A situação no Zimbábue é muito ruim (...), ultrapassou o ponto no qual se pode esperar", disse Zuma após seu encontro com o Grupo dos Sábios, antes de afirmar que a recusa de Mugabe em recebê-los foi um "ato infeliz".

Para tentar resolver a crise política no país vizinho, o ex-presidente sul-africano Thabo Mbeki, mediador nomeado pela Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), tenta agendar um encontro na África do Sul entre representantes do Governo e da oposição do Zimbábue, para retomar a negociação sobre um Executivo de união nacional.

No entanto, a imprensa sul-africana diz que o oposicionista Movimento por Mudança Democrática (MDC), liderado por Morgan Tsvangirai, poderia não participar por considerar que a SADC não é imparcial e favorece o partido governista, União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), de Mugabe.

O regime do Zimbábue negou o visto de entrada no país a Annan, Carter e Machel, que na sexta-feira viajariam ao país em uma missão humanitária como representantes do Grupo dos Sábios.

A ONU advertiu que 5 milhões dos 11 milhões de habitantes do país, precisarão de doação de alimentos até janeiro, e a OMS solicitou auxílio sanitário imediato.

A economia do Zimbábue está em um absoluto caos, sem fornecimento de alimentos e outras mercadorias essenciais, mais de 80% de desemprego e uma inflação astronômica, que oficialmente alcança 231.000.000%, pelo que a moeda local perdeu totalmente seu valor, e a população não tem mais poder aquisitivo. EFE cho/wr/jp

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