Aniversário do início da Segunda Guerra expõe visões distintas do conflito

Varsóvia, 1º set (EFE).- As diferentes visões históricas acerca da Segunda Guerra Mundial marcaram os 70 anos do início deste conflito bélico, que hoje, em Gdansk, foi lembrado por representantes de 20 países, entre eles a chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin.

EFE |



Memorial em Gdansk é iluminado durante celebração dos
70 anos do ínicio da 2ª Guerra / Reuters

"Hoje, há 70 anos, começava a invasão alemã à Polônia, o mais trágico capítulo na história da Europa", disse Merkel.

A chefe do governo alemão, além de lembrar os 60 milhões de mortos nos confrontos, declarou que "não há palavras que consigam descrever o sofrimento provocados por essa guerra e pelo Holocausto".

O primeiro-ministro russo, por sua vez, lembrou aqueles que morreram nas mãos dos "carrascos" nazistas.

Mas, apesar de ter condenado o pacto Ribbentrop-Molotov (1939) - a partir do qual a Alemanha e a União Soviética dividiram a Polônia -, Putin evitou se referir às atrocidades cometidas pelo Exército soviético durante o período, como o massacre de Katyn - na atual Ucrânia.

Os dois chefes de governo ressaltaram ainda a importância de se olhar para o futuro e o fato de que, como afirmou Merkel, a Europa deixou de ser "o continente do horror" para se tornar o "continente da liberdade e da paz".

Já Putin disse desejar que a Rússia participe da construção de um novo mundo e lembrou que seu país soube reconhecer erros cometidos no passado.

Outro convidado para o ato que lembrou o início da Segunda Guerra, o presidente da Polônia, Lech Kaczynski, fez citações à repressão soviética e ao massacre de Katyn, no qual mais de 20 mil oficiais e membros da elite polonesa foram assassinados por ordem de Josef Stálin.

Segunda Guerra
Veja no infográfico como começou a 2ª Guerra Mundial


"Comparar Katyn à morte de presos soviéticos não é o caminho para a reconciliação", disse Kaczynski, que horas antes havia surpreendido ao equiparar os eventos de Katyn com o Holocausto, algo criticado pela mídia polonesa diante da descabida comparação.

Também polonês, o presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, elogiou a luta da Polônia "contra o fascismo" e ressaltou a importância da manutenção da memória histórica.

"A história não se pode guardar numa gaveta. É importante que a Europa não volte a construir um novo muro de Berlim" mediante "a manipulação da história ou do jogo com os recursos energéticos", disse Buzek.

Por sua vez, o primeiro-ministro francês, François Fillion, teceu elogios à Polônia pelo papel que este país teve na disputa, durante a qual poloneses lutaram pela "honra de toda a Europa", e, posteriormente, durante os anos 80, quando iniciaram uma nova luta, desta vez contra o comunismo.

Horas antes dos discursos, às 4h45 (23h45 de segunda-feira, em Brasília), o momento exato em que há 70 anos o III Reich começou a invadir a Polônia, o primeiro-ministro e chefe de Estado polonês, Donald Tusk e Lech Kaczynski, respectivamente, iniciaram os atos para lembrar a data.

"Estamos aqui para lembrar quem começou a guerra, quem foi o culpado, quem foi o executor e quem foi a vítima da agressão", destacou Tusk, que pediu respeito à memória histórica polonesa, em resposta ao revisionismo dos fatos promovido pela imprensa russa.

A polêmica não impediu o posterior encontro entre Tusk e Putin, que reiteraram o desejo de superar o passado e analisar conjuntamente as passagens mais obscuras da história russo-polonesa, sobretudo o massacre de Katyn.

"Queremos que esta tragédia (Segunda Guerra Mundial) nunca se repita no futuro", disse Putin, ressaltando a importância de uma interpretação "objetiva" dos fatos, considerada essencial para que ambos os países possam "caminhar juntos em direção à verdade" e estabelecer relações "baseadas no pragmatismo".

Assista à reportagem sobre os 70 anos da 2ª Guerra Mundial:

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