ASSUNÇÃO - O primeiro aniversário da histórica vitória eleitoral do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, foi manchado hoje por uma nova denúncia de que o líder teria concebido um filho quando era bispo, uma semana após ter dado seu sobrenome a um menino de dois anos.

AP
Benigna Leguizamón, de 27 anos, afirma ser mãe de filho de Lugo

A nova denunciante é Benigna Leguizamón, de 27 anos, cujo caso chamou a atenção da mídia em um momento em que a imprensa deveria estar concentrada na remodelação do gabinete anunciada para coincidir com o primeiro ano da vitória de Lugo nas urnas, que colocou fim a 61 anos de hegemonia do Partido Colorado no poder.

Leguizamón assegurou que o líder é pai do segundo dos quatros filhos que possui, o menino L.F Leguizamón, nascido em 9 de setembro de 2002 em um distrito do departamento de San Pedro, centro, onde, na época, Lugo ocupava o cargo máximo de autoridade eclesial.

A mulher, que vende detergente para sustentar os filhos, contou que passou a se relacionar com Lugo quando recorreu a ele para pedir ajuda para que o pai de seu primeiro filho, um anestesista do hospital regional de San Pedro, ajudasse financeiramente a criança.

Após um ano de relacionamento, ela ficou grávida.

"O que quero é que esse senhor (o presidente) reconheça meu filho, isso é o que peço. Um dia, vou esperar, caso não assuma a responsabilidade, vou denunciá-lo", ameaçou a jovem, que mora em uma casa pobre em Ciudad del Este, a 330 quilômetros de Assunção.

"A única prova que vou ter será a do DNA, porque tenho nojo dele (de Lugo) e queimei todas as fotos que tínhamos juntos", afirmou.

Ela explicou que decidiu tornar público o caso após saber da história de Viviana Carrillo, de 26 anos, que, em 8 de abril, entrou na Justiça com um processo de paternidade contra Lugo.

Lugo, de 58 anos, assumiu há cinco dias a paternidade do filho de Viviana, Guillermo Armindo Carrillo, nascido em 4 de maio de 2007, cinco meses após ter renunciado, em 21 de dezembro de 2006, ao estado clerical para entrar na vida política.

O ex-bispo mais tarde foi suspenso "a divinis" pelo papa Bento XVI e, dez dias antes de assumir como chefe de Estado, em 15 de agosto de 2008, foi reduzido ao estado laical em uma decisão não menos histórica do Vaticano.

Nas últimas eleições, Lugo colocou fim a 61 anos de mandato do Partido Colorado, à frente de uma coalizão de ampla base ideológica liderada pelo Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), de centro-direita e segunda maior legenda do país.

"Estamos disposto a agir sempre com o argumento da verdade e a nos colocar à disposição de todos os requerimentos que surgirem no âmbito da justiça", afirmou Lugo em mensagem lida, na qual anunciou mudanças nos ministérios de Educação, Justiça e Trabalho, Indústria e Comércio e de Agricultura e Pecuária.

Três dessas pastas permanecerão sob o controle do PLRA, base política de Lugo no Congresso, que, agora, agregou o ministério da Educação e Cultura, pois o novo titular, Luis Albert Riart, é dessa legenda.

Riart, que até agora atuava como vice-ministro de Educação, substituirá Horacio Galeano Perrone, antigo dirigente do opositor Partido Colorado cujo destino é desconhecido, assim como o do destituído ministro da Indústria e Comércio Martín Heisecke.

O caso que mais chama a atenção é o de Heisecke, um empresário do setor farmacêutico e principal financiador da campanha de Lugo, que tinha assegurado que o próprio governante tinha confirmado seu nome no cargo antes de viajar, no sábado, à Alemanha e ao Catar em missão oficial.

Heisecke será substituído pelo deputado liberal Francisco Rivas.

Por sua parte, Cándido Vera será substituído pelo senador Enzo Cardozo, enquanto Humberto Blasco, ex-vice-ministro de Justiça, ocupará essa pasta no lugar de Blas Llano, que retomará seu assento no Senado.

A denúncia de Leguizamón originou chamadas ao vivo a partir da casa dela, enquanto a reformulação ministerial não foi sequer retransmitida pelos principais veículos de comunicação nacionais.

O fato motivou, inclusive, uma reunião de Lugo com todas as mulheres de seu gabinete, entre elas as ministras da Infância e da Adolescência, Liz Torres, e da Mulher, Gloria Rubín, que, mais tarde, emitiram um comunicado conjunto em favor de que o caso seja esclarecido.

"Há brincadeiras e piadas por toda a República sobre se vão aparecer cinco ou seis, 16 filhos. E bom, cada caso será estudado", afirmou Rubín, ao destacar que "se é tão certo que (Lugo) tem tantos filhos, a Secretaria vai ter de estar a serviço de todas as mulheres que vierem fazer reivindicações".

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