Aniversário da revolução líbia põe em embaraço os países europeus

O 40º aniversário da chegada ao poder de Muammar Kadhafi vem revelando o embaraço das nações europeias, preocupadas em normalizar relações com uma Líbia rica em petróleo, mas incomodadas em demonstrar sua proximidade com um ex-pária da comunidade internacional.

AFP |

As festividades líbias desta terça-feira vão se desenrolar em meio a um fundo de polêmica, após a indignação suscitada pela acolhida triunfal de Abdelbaset Ali Mohamed al-Megrahi, condenado pelo atentado de Lockerbie (270 mortos) e libertado pela Escócia por motivos médicos - ele sofreria de um câncer em fase terminal.

A alguns dias da cerimônia, havia ainda muita confusão sobre a participação de dirigentes ocidentais; com rumores, anúncios e desmentidos se sucedendo.

Trípoli afirmou que o presidente francês Nicolas Sarkozy e os presidente e primeiro-ministro russos, Dmitri Medvedev e Vladimir Putin, eram esperados na cerimônia. Mas a assessorias deles logo desmentiu.

O mesmo aconteceu com o casal real espanhol que teve a participação anunciada inicialmente pelos líbios.

O chefe da diplomacia espanhola Miguel Angel Moratinos, em revanche, estará presente, assim como o venezuelano Hugo Chavez e "40 a 50 chefes de Estado africanos", segundo Trípoli.

E a Suíça, que apresentou por sua vez desculpas pela detenção complicada de um filho de Kadhafi ano passado em Genebra, acariciando a esperada oportunidade de aceder novamente ao mercado líbio, não obteve imediatamente a volta esperada de dois suíços, detidos há um ano na Líbia.

"Este aniversário é revelador das contradições dos ocidentais. O cinismo político os leva a acarinhar Kadhafi", estima Antoine Basbous do Observatório de Países Árabes.

"O caminho de Trípoli tornou-se destino. A reabilitação de Kadhafi é hoje quase total".

Para este analista, "há uma corrida entre os ocidentais para melhorar suas posições me relação à Líbia, com o campeão sendo Berlusconi, seguido de perto por Tony Blair (o ex-premier britânico)".

Seif Al-Islam Kadhafi, filho do número um líbio, afirmou que a liberação de Abdelbaset al-Megrahi estava no centro dos contratos comerciais concluídos com a Grã-Bretanha, o que Londres vem desmentindo.

O chefe do governo italiano Silvio Berlusconi esteve, por sua vez, neste domingo em Trípoli para o primeiro aniversário da assinatura do tratado de amizade entre os dois países, liquidando o período colonial com desculpas de Roma e o compromisso de investir 5 bilhões de dólares em 25 anos.

Ele não assistirá às festividades de terça-feira, mas esta visita, no entanto, foi denunciada pela esquerda.

Após sua viagem à França, em dezembro de 2007, que suscitou uma torrente de críticas apesar da promessa de bilhões de euros em contratos, o líder líbio havia sido recebido com grande pompa na Itália em junho último, também em meio a muita polêmica.

A libertação de Megrahi poderia facilitar, segundo alguns observadores, as negociações sobre um acordo de parceria entre a UE e a Líbia, iniciadas em novembro de 2008, em seguida à também libertação de enfermeiras búlgaras (julho de 2007).

fmi/kd/sd

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