Anistia quer punição a abusos militares no Afeganistão

CABUL (Reuters) - No momento em que os EUA e seus aliados ampliam seu contingente militar para enfrentar a militância islâmica no Afeganistão, é preciso garantir que soldados responsáveis por mortes de civis e abusos sejam punidos, segundo a Anistia Internacional. As mortes de civis e as invasões de domicílios cometidas por tropas estrangeiras durante ações contra o Taliban e a Al Qaeda são um assunto delicado no Afeganistão, e sempre geram tensão entre os militares e o governo local.

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Os incidentes abalaram a popularidade do presidente Hamid Karzai e dos militares estrangeiros, após mais de sete anos de uma ocupação feita pelos EUA para derrubar o regime islâmico do Taliban depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra Nova York e Washington.

"Milhões de afegãos enfrentam violência e insegurança piores do que em qualquer período desde 2001", disse a Anistia em um relatório ao qual a Reuters teve acesso na sexta-feira.

"Cerca de 40 por cento (795) das baixas civis (em 2008) se deveram a operações de forças de segurança internacionais e afegãs -- um aumento de 30 por cento em relação às 559 (mortes) de 2007", disse o texto.

A maioria das mortes é provocada por bombardeios aéreos ou em invasões de domicílios realizadas por soldados locais ou estrangeiros, de acordo com o relatório.

A Anistia diz que as forças estrangeiras não estão sendo adequadamente responsabilizadas e que as investigações "ad hoc" e os programas de indenização agravam a situação.

O texto diz ainda que, com o aumento no contingente estrangeiro -- que deve passar de 74 mil para 90 mil neste ano --, os Estados Unidos e seus aliados precisam garantir que as vítimas civis e os danos às propriedades por causa das ações militares sejam investigados de forma rápida e imparcial.

Afirma ainda que militares que tenham violado leis de guerra ou o direito humanitário internacional deveriam ser levados à Justiça.

(Reportagem de Sayed Salahuddin)

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