Anistia pede a Irã que pare de usar milícia contra protestos

LONDRES (Reuters) - O grupo de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional fez um apelo na terça-feira para que o Irã pare de usar a milícia islâmica Basji para policiar manifestações, após relatos de que integrantes da milícia espancaram e atiraram contra manifestantes. A Basji, uma força paramilitar de voluntários controlada pelas Guardas Revolucionárias, tem patrulhado as ruas de Teerã para conter dias de protestos contra a contestada eleição presidencial do último dia 12 de junho.

Reuters |

"É hora das autoridades iranianas permitirem protestos pacíficos e remover a Basji das ruas. O policiamento de qualquer manifestação deve ser deixado com a polícia ou outra força de segurança, que são adequadamente treinadas e equipadas", disse Hassiba Hadj Sahraoui, da Anistia.

"Os iranianos que desejam expressar sua oposição aos eventos recentes que envolvem a eleição não têm espaço para fazê-lo, já que são recebidos com violência que foi legitimada pelas mais altas autoridades do país", disse ela em comunicado.

Separadamente, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, falou sobre a situação iraniana com seu gabinete, segundo seu porta-voz.

"Ele deixou claro que é importante que o regime atue de forma a respeitar os direitos humanos e que responda sem violência aos protestos em andamento", disse o porta-voz.

Resultados oficiais deram ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, uma vitória esmagadora nas eleições, mas o candidato derrotado Mirhossein Mousavi alega que a votação foi fraudada.

A Anistia pediu que as autoridades iranianas investiguem completamente todas os relatos de mortes, incluindo possíveis execuções extrajudiciais, e que leve os responsáveis à Justiça.

A entidade afirma que manifestantes afirmaram que pessoas armadas que não vestiam uniformes, as quais eles acreditam serem integrantes da Basji, usaram força excessiva e promoveram violações dos direitos humanos, incluindo espancamento e uso de arma de fogo contra os manifestantes.

Um vídeo de um integrante da Basji atirando de um prédio durante os protestos de 15 de junho, nos quais pelo menos oito pessoas morreram, deve provocar uma investigação imediata por parte das autoridades, além de instruções claras para evitar novas mortes, disse a Anistia.

Outro vídeo que mostra uma jovem chamada Neda morrendo aparentemente por conta de um ferimento no peito também foi amplamente divulgado e há denúncias de envolvimento de integrantes da Basji, segundo a entidade.

A Anistia afirma que, em declarações recentes, autoridades iranianas têm buscado desvincular as agências oficiais da violência. "Se as autoridades iranianas não conseguem controlar (a Basji), elas deveriam desmantelá-la", afirma o grupo.

(Reportagem de Adrian Croft)

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