Anistia pede a governo do México justiça pela repressão estudantil de 1968

Quarenta anos depois da matança de Tlatelolco, que deixou dezenas de estudantes mortos, o governo do México ainda não respondeu à pergunta de quem ordenou a chacina, denunciou nesta quarta-feira, em Londres, a organização Anistia Internacional (AI).

AFP |

No comunicado, a organização de defesa dos direitos humanos pediu ao presidente Felipe Calderón que se faça justiça quanto à matança ocorrida em 2 de outubro de 1968 em uma praça do centro da capital mexicana, poucos dias antes da inauguração dos Jogos Olímpicos México-68.

Às 18H00 desse dia, há 40 anos, centenas de policiais, militares e paramilitares dispararam contra estudantes reunidos na praça de Tlatelolco (ou Las Tres Culturas). Segundo organizações civis e ativistas, a chacina foi cometida pelas forças do governo, então em mãos do Partido Revolucionário Institucional (PRI), e deixou mais de 300 mortos.

Ao contráriio de outros países latino-americanos que estão saldando as contas da repressão durante a Guerra Fria, o México continua sem elucidar a matança de Tlatelolco.

O ocultamento, a quase inexistente investigação e as poucas denúncia impedem ainda hoje, segundo os analista, de determinar o número de mortos no ataque contra a manifestação de cerca de 8.000 estudantes na praça de Tlatelolco.

Os cômputos oficiais falam de 44 mortos, mas investigações independentes dizem que 300 estudantes morreram na repressão. O então governo de Gustavo Díaz Ordaz (1964-1970) alegou que as manisfestações estudantis freqüentes na época ameaçavam os Jogos Olímpicos.

O México participou da efervescência política da época, simbolizada pelo mês de Maio francês e pela figura de Ernesto 'Che' Guevara, e o descontentamento estudantil local se voltava para o autoritarismo do PRI, que governou o país de 1929 a 2000.

ol/dk/cn

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