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Anistia Internacional quer novo modelo econômico para superar crise de direitos humanos

LONDRES - A Anistia Internacional (AI) pediu hoje um novo modelo econômico e de liderança política para superar a crise de direitos humanos que tem acompanhado a recessão. Na crise econômica há uma explosiva crise de direitos humanos, disse a secretária-geral da AI, Irene Khan, ao apresentar o novo relatório anual da organização sobre direitos humanos, referente a 2008.

Redação com agências internacionais |

Khan pediu um "'new deal' (novo acordo) mundial" sobre direitos humanos, com compromissos e medidas concretas dos governos "para desativar essa bomba", e convidou os líderes a investir nos direitos "com tanta determinação como na economia".

Do Haiti à China, passando por México, Colômbia, Sri Lanka, Palestina, Congo e Sudão, o documento, publicado em Londres, oferece um panorama dos abusos dos direitos humanos no mundo, onde a crise econômica aumenta a "instabilidade política e a violência".

Embora seja muito cedo para prever todos os efeitos dos desastres dos últimos anos sobre os direitos humanos, a AI destacou o aumento da pobreza, do desemprego, da insegurança, da discriminação e a desigualdade no mundo, o que nunca foi terreno propício para o respeito desses direitos.

O documento da AI, que analisou a situação em 157 países, destacou que, embora ninguém esteja salvo da crise econômica, os problemas dos países ricos não são nada comparados às calamidades que atingem os mais pobres.  "O mundo necessita de uma liderança diferente, um modelo diferente de política e também de economia, algo que funcione para todas as pessoas e não unicamente para alguns poucos privilegiados", afirmou a secretária-geral.

"Na Ásia, África e América Latina, há cada vez mais fome e doenças, devido à drástica alta dos preços dos alimentos, e mais pessoas sem moradia e vivendo na indigência, por causa dos despejos forçados e de execuções de bens hipotecados", indicou o relatório da organização de defesa dos direitos humanos.

A Anistia Internacional critica o fato de os governos se concentrarem no combate a problemas econômicos e fortalecerem seus sistemas financeiros enquanto piora a situação de direitos e liberdades e aumentam os conflitos.

Em seu relatório, denuncia as favelas do Brasil, as desigualdades e a marginalização dos indígenas na América Latina, a pobreza extrema na África, a difícil situação de habitantes de metrópoles e comunidades rurais pobres de Índia e China e a marginalização dos ciganos na Europa. Cita também a desigualdade social em países desenvolvidos como os Estados Unidos, o mais rico do mundo.

Avanços

Entre os poucos avanços registrados nos últimos meses, Kahn comemorou o compromisso do presidente americano, Barack Obama, de fechar a prisão de Guantánamo, em Cuba, embora tenha advertido que o chefe da Casa Branca "não foi o bastante longe".

"O anúncio do fechamento de Guantánamo foi uma boa notícia, assim como os passos importantes que tomou no início de seu mandato para retificar alguns abusos dos direitos humanos cometidos pelo governo de George W. Bush", destacou.

"Mas depois, algumas dessas iniciativas foram seguidas por ações limitadas, e seu governo enviou nestes primeiros meses sinais confusos", disse.

Sobre a América Latina, em particular, o relatório da Anistia Internacional reconheceu que a situação dos direitos humanos melhorou na região em 2008, conforme demonstrou a condenação do ex-presidente peruano Alberto Fujimori, mas apontou para os retrocessos, com o aumento da insegurança e da exclusão, como exemplificam os muros que estão sendo construídos em torno das favelas da cidade brasileira do Rio de Janeiro.

Assim, Khan pediu aos países do G20 que assinem um "novo acordo global para o respeito aos direitos humanos e para que coloquem estes direitos no centro de suas iniciativas internacionais para combater a crise econômica."

"Não podemos solucionar os problemas econômicos se não resolvermos os problemas nos direitos humanos", concluiu a dirigente da AI.

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