Presidente foi deposto em 1986, acusado de corrupção, repressão e abuso dos direitos humanos

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A Anistia Internacional pediu nesta segunda-feira que as autoridades haitianas julguem o ex-presidente Jean Claude Duvalier, conhecido como Baby Doc, pelos supostos crimes cometidos durante o regime liderado por ele entre 1971 e 1986.

Duvalier, de 59 anos, retornou inesperadamente no domingo ao Haiti após 25 anos de exílio na França. Ele havia deixado o país após ser deposto por uma revolta popular, em 1986.

Para a Anistia Internacional, "as violações generalizadas e sistemáticas cometidas no Haiti durante o regime de Duvalier configuram crimes contra a humanidade". 

"O Haiti está sob a obrigação de processar a ele e a qualquer outro responsável por tais crimes", afirmou Javier Zuñiga, assessor-especial da organização dedicada à defesa internacional dos direitos humanos.

Tontons Macoutes

Jean-Claude Duvalier tinha apenas 19 anos quando herdou o título de "presidente vitalício" de seu pai, François "Papa Doc" Duvalier, que governou o país de 1957 a 1971. Baby Doc é acusado de corrupção, repressão e abuso de direitos humanos durante o tempo em que esteve no poder.

Como o pai, ele contava com uma milícia particular conhecida como os Tontons Macoutes, que controlava o Haiti usando violência e intimidação. Os Duvalier são tidos por analistas como dois dos mais violentos governantes da História. "As autoridades haitianas precisam romper o ciclo de impunidade que prevaleceu por décadas no Haiti", afirma Zuñiga. "Não levar à Justiça os responsáveis apenas levará a mais abusos dos direitos humanos."

Crise política

O retorno inesperado de Baby Doc ao Haiti ocorre no momento em que o país enfrenta uma crise política, uma epidemia de cólera e as dificuldades da reconstrução após o terremoto devastador do ano passado que matou mais de 250 mil pessoas.

O retorno de Duvalier ao país aconteceu também no dia exato em que deveria ocorrer o segundo turno das eleições presidenciais no Haiti, mas a votação foi adiada por causa de uma disputa em torno dos nomes que deveriam constar na cédula eleitoral.

Não se sabe ao certo o que motivou o regresso de Duvalier, mas ele disse que quer "ajudar o povo haitiano". O primeiro-ministro, Jean-Max Bellerive, disse que não há motivo para acreditar que a chegada de Baby Doc vá desestabilizar o país. "Ele é um haitiano e, como tal, é livre para voltar para casa", disse Bellerive.

Em uma entrevista em 2007, Duvalier havia pedido que o povo haitiano o perdoasse por "erros" cometidos durante seu governo. Um pequeno grupos de partidários de Duvalier vinha fazendo uma campanha para que ele voltasse ao Haiti.

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