Anistia Internacional pede a Obama um plano e uma data para fechar Guantánamo

MADRI - A Anistia Internacional (AI) pediu hoje em Madri ao presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, uma data e um plano para fechar em breve a prisão de Guantánamo, onde cerca de 250 pessoas permanecem detidas ilegalmente.

EFE |


O pedido foi formulado pela organização de defesa dos direitos humanos em uma concentração diante da Embaixada dos EUA em Madri.

Ao ato compareceram cerca de 20 pessoas, que realizaram um protesto silencioso diante da sede diplomática americana por ocasião do sétimo aniversário da chegada do primeiro grupo de prisioneiros ao tribunal que os EUA têm em Cuba.

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Portões da prisão de Guantánamo

Quatorze ativistas da AI formaram primeiro a frase "Bye Guantánamo", com máscaras nas quais havia desenhado um sorriso, para depois perguntarem "¿Como? e Quando?".

O diretor da AI na Espanha, Esteban Beltrán, explicou aos jornalistas que, além de um plano e de uma data para desmantelar Guantánamo, a organização pediu a Obama que se envolva na criação de uma comissão internacional para investigar "os abusos" que os EUA cometeram "na guerra contra o terror nos últimos sete anos".

"Não pode haver impunidade", declarou Beltrán, que também disse que a AI se dirigiu ao próximo presidente dos EUA para pedir a ele "uma ordem executiva" que proíba a tortura e os maus tratos.

A Anistia Internacional também reivindicou ao Governo espanhol e à União Européia "proteção internacional" para os cerca de 50 prisioneiros de Guantánamo que, segundo os EUA, não estão acusados formalmente de nada "e não representam nenhum perigo".

Os Governos europeus "devem colaborar" no fechamento da prisão e uma forma de fazer isto é dar proteção a estes presos que não podem retornar para seus países de origem porque suas vidas correriam risco, declarou.

Segundo a AI, pela prisão de Guantánamo passaram nestes sete anos cerca de 800 prisioneiros, dos quais 520 foram colocados em liberdade, "a maioria sem acusações nem juízos posteriores", e apenas 26 foram levadas a tribunais militares dos EUA "em juízos injustos".

A organização estudou os casos de cerca de 500 presos e, deles, diz que apenas 5% foram detidos pelas forças americanas, enquanto a maioria das detenções foram realizadas pelo Paquistão e pela Aliança do norte do Afeganistão.

Em Guantánamo há ainda cerca de 250 presos, dos quais 178 estão no campo número 6, onde as condições de detenção "são piores" e, pelo menos, passam 22 horas por dia em celas, diz a AI.

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