Anistia Internacional instala réplica de cela de Guantánamo em Washington

Washington, 25 jun (EFE).- A Anistia Internacional (AI) instalou hoje a réplica de uma cela de Guantánamo no National Mall de Washington, entre o Capitólio e o obelisco da capital americana, para denunciar as condições desumanas a que os Estados Unidos submetem os 270 presos da base naval.

EFE |

Dezenas de voluntários da AI, usando uniformes laranjas de presidiários, denunciaram, ao redor da prisão reproduzida em tamanho natural, as técnicas de interrogatório e detenção usadas pelos EUA na base em território cubano.

Rodeado por corpos humanos algemados no solo, o diretor da organização nos EUA, Larry Cox, disse, em um ato para a imprensa, que "agora é tempo de contra-atacar o terror com justiça".

"Assaltando os valores americanos, o presidente americano, George W. Bush, destruiu a liderança moral que o país tinha no mundo", afirmou.

Com esta réplica, os ativistas se unem às vozes da Suprema Corte e do Congresso americanos que esta semana disseram que os casos de prisões indefinidas e as severas práticas de interrogação seriam examinados.

A reprodução instalada hoje em Washington percorrerá várias regiões dos EUA como parte do protesto que a AI realiza em todo o país, com o objetivo de aumentar tanto a conscientização pública quanto a pressão para que Bush feche definitivamente este centro de detenção, que funciona desde 2002.

No início de junho, a Human Rights Watch divulgou um relatório que ressaltava que mais de dois terços dos detidos na prisão de Guantánamo foram hospedados em condições desumanas, o que teve um efeito prejudicial para a sua saúde mental.

Os últimos dados da organização de defesa dos direitos humanos documentam as condições em vários acampamentos do centro de detenção, onde cerca de 185 dos 270 detidos estão em complexos muito parecidos com prisões de alta segurança, apesar de ainda não terem sido sequer declarados culpados.

Entre as deploráveis condições de seus alojamentos, segundo a Human Rights, estão o contato limitado com outras pessoas; permanência de 22 horas sozinho em pequenas celas com pouca ou nenhuma luz natural ou ar fresco e a proibição de oportunidades educativas, entre outras.

Além disso, o relatório denuncia que inclusive suas duas horas restantes de "lazer" - as quais em muitos casos acontecem no meio da noite -, normalmente costumam ser solitárias, onde os detidos não podem ter contato físico com outros reclusos.

Tanto John McCain quanto Barack Obama, os dois candidatos à Presidência dos Estados Unidos, prometeram fechar a prisão, embora nenhum dos dois tenha especificado o que fará com os 270 detidos que estão nas celas de Guantánamo. EFE ag/rb/gs

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