Anistia Internacional elogia decisão brasileira de extraditar repressor uruguaio

A ONG Anistia Internacional (AI) saudou nesta sexta-feira a decisão da justiça do Brasil de extraditar para a Argentina o ex-coronel uruguaio Manuel Cordero Piacentini, convidando o país a fazer justiça também nos casos de abusos cometidos durante seu próprio regime militar.

AFP |

"Ao decidir enviar Cordero à Argentina, a Suprema Corte do Brasil está demonstrando que a justiça internacional funciona, e que nenhum país deve servir de refúgio para criminosos", declarou Hugo Reva, conselheiro jurídico da AI, citado em um comunicado da organização de defesa dos direitos humanos baseada em Londres.

O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou na quinta-feira a extradição de Piacentini, que havia sido requerida pela Argentina, uma vez que o militar uruguaio tem envolvimento em desaparecimentos, torturas e repressão do Plano Condor, elaborado pelas ditaduras sul-americanas nos anos 70.

"O que ainda falta é que o Brasil investigue e faça justiça nas centenas de casos de abuso cometidos durante seu próprio regime militar", destacou Reva. "Um primeiro e fundamental passo para isto é a anulação da anacrônica Lei de Anistia brasileira".

A Lei da Anistia, estabelecida em 1979, perdoou aqueles que cometeram "crimes políticos e relacionados", o que permitiu o retorno dos exilados que haviam sido perseguidos, mas também livrou a cara de torturadores e repressores.

ra/ap

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