Anistia Internacional denuncia morte de 104 civis em conflito nas Filipinas

Manila, 29 out (EFE).- A Anistia Internacional denunciou hoje que 104 civis, inclusive crianças, morreram desde agosto por causa dos combates entre o Exército das Filipinas e a Frente Moura de Libertação Islâmica (FMLI) na ilha de Mindanao, no sul do país.

EFE |

Em seu relatório, a organização humanitária afirmou que o número de mortos demonstra que a população civil é a principal vítima do conflito, no qual os dois lados da batalha perderam juntos 200 combatentes.

A Anistia Internacional também advertiu que o persistente clima de violência colocou o sul das Filipinas diante de uma crise de falta de respeito aos direitos humanos.

"As duas partes do conflito violaram as obrigações definidas pela legislação internacional para proteger aqueles que não participam de forma ativa das hostilidades", acrescentou a organização.

Segundo a Anistia Internacional, 270 mil dos 610 mil civis que deixaram suas casas para fugirem do conflito permanecem em casas de familiares e sem expectativas de retornarem a suas residências, destruídas ou incendiadas.

A organização internacional expressa sua preocupação com os grupos armados de milicianos criados pelo Exército filipino e políticos próximos ao Governo central, com a finalidade de ajudar a combater os rebeldes da FMLI.

Em meados de outubro, a Corte Suprema das Filipinas anulou o polêmico memorando de entendimento entre o Governo e a FMLI, suspenso desde agosto por um recurso apresentado por políticos cristãos do sul de Mindanao, que afirmavam que o Executivo dava muita autonomia aos muçulmanos da região.

A decisão gerou uma nova onda de violência em várias províncias da ilha de Mindanao.

Fundado em 1984, o FMLI é a maior organização separatista das Filipinas, com mais de 12 mil militantes.

Quase quatro décadas de conflito étnico, religioso e tribal já deixaram 120 mil mortos e cerca de 2 milhões de refugiados em uma das áreas mais pobres do arquipélago. EFE ad/wr/fal

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