Anistia Internacional denuncia ataques a oposição após pleito no Zimbábue

Londres - A Anistia Internacional (AI) denunciou nesta quinta-feira vários ataques contra supostos membros da oposição política no Zimbábue após as eleições presidenciais, cujos resultados ainda não foram divulgados doze dias após sua realização.

EFE |

Em comunicado, a organização de defesa dos direitos humanos pede que a Polícia zimbabuana coloque fim à violência e investigue o possível envolvimento das forças da ordem nos conflitos.

Segundo a AI, foram registrados ataques contra opositores na capital do país, Harare, e em outras províncias.

Entre outras ocorrências, no dia 6 de abril houve uma discussão em um bar de um centro comercial da cidade de Gweru na qual, supostamente, vários soldados atacaram cidadãos por "não votarem corretamente".

Por outro lado, a Anistia mostrou hoje sua satisfação com a realização de uma reunião no próximo sábado, na Zâmbia, dos 14 chefes de Estado dos países que integram a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), na qual o caso do Zimbábue será analisado.

O analista da AI no Zimbábue, Simeon Mawanza, pediu aos dirigentes africanos que reconheçam a violação dos direitos humanos produzida nesse país, e que uma das causas do aumento das tensões é "o atraso na divulgação dos resultados das eleições presidenciais".

A Comissão Eleitoral não anunciou ainda os resultados desse pleito, realizado em 29 de março, mas divulgou a apuração das votações parlamentares que foram realizadas simultaneamente.

O opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês) sustenta que, de acordo com os dados das atas de votação exibidas nas portas dos colégios eleitorais, seu candidato presidencial, Morgan Tsvangirai, obteve 50,3% dos votos.

O partido opositor atribui ao presidente Robert Mugabe, no poder desde 1980, 43,8% dos votos, o que, segundo o MDC, torna desnecessário um segundo turno, como quer o Governo de Harare.

A oposição denunciou que Mugabe já desdobrou ex-milicianos que lutaram a favor da independência e as Forças Armadas para preparar uma onda de violência contra militantes da oposição, semelhante à ocorrida no plebiscito constitucional de 2000 e nas eleições de 2002.

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