Anistia denuncia violações dos direitos humanos em Honduras

TEGUCIGALPA - A Anistia Internacional denunciou na quarta-feira abusos policiais em Honduras, onde o surpreendente regresso do presidente deposto Manuel Zelaya desencadeou confrontos entre manifestantes e forças de segurança, deixando pelo menos um morto e vários feridos.

Reuters |


"A situação em Honduras só pode ser descrita como alarmante," disse em nota Susan Lee, diretora da Anistia Internacional para as Américas.

"Os ataques contra os defensores dos direitos humanos, a suspensão dos meios de comunicação, os golpes nos manifestantes por parte da polícia e os crescentes relatos de prisões em massa indicam que os direitos humanos e o império da lei em Honduras estão em risco," afirmou Lee.

Os confrontos ocorrem em vários pontos de Tegucigalpa, inclusive diante da embaixada do Brasil, onde Zelaya se refugiou em sua tentativa de voltar ao poder, quase três meses depois do golpe militar que o derrubou, com apoio de juízes e políticos conservadores.

O governo de facto de Honduras ameaça prender Zelaya se ele deixar a embaixada brasileira, cercada pelas forças de segurança. Ao longo da terça-feira, soldados e policiais lançaram gás lacrimogêneo contra seguidores de Zelaya, que reagiram com pedradas, numa batalha campal que deixou dezenas de feridos e presos.

Na noite do mesmo dia, um homem de 65 anos morreu baleado em um bairro pobre da cidade, em meio a uma outra manifestação em prol de Zelaya. Outras cinco pessoas foram baleadas na quarta-feira, segundo um médico do Hospital-Escola.

O governo interino decretou na segunda-feira um toque de recolher, que foi suspenso durante algumas horas na quarta-feira para que a população possa se abastecer em supermercados e postos de gasolina, onde grandes filas se formaram.

Os quatro aeroportos comerciais do país estão fechados. Alguns veículos de comunicação, como o Canal 36 de TV e a rádio Globo, considerados simpatizantes de Zelaya, sofreram interrupções das suas transmissões, segundo a Anistia.

Em nota, a entidade Jornalistas Sem Fronteira afirmou que "desde o começo das manifestações, os militares tentaram manter a imprensa internacional à margem, e fizeram de tudo para impor o silêncio aos escassos meios de comunicação independentes que ainda permanecem ativos no país".

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