Anistia critica "confissão" de iraniana condenada a apedrejamento

Um dos advogados de Sakineh Ashtiani diz que ela foi torturada na prisão para admitir na TV que conspirou para matar seu marido

AFP |

A organização Anistia Internacional (AI) criticou nesta quinta-feira a transmissão pela televisão da "confissão" de Sakineh Mohammadi Ashtiani , a iraniana acusada de adultério e condenada inicialmente à morte por apedrejamento .

Em um programa transmitido na noite de quarta-feira pela televisão estatal do Irã, Sakineh, considerada culpada de ter "relações ilícitas" com dois homens em 2006, depois de ficar viúva, confessou envolvimento no assassinato de seu marido.

Segundo a AI, as confissões televisionadas são utilizadas de forma recorrente pelas autoridades iranianas para incriminar seus presos, que acabam confessando sob coerção ou depois de serem torturados. Ao jornal britânico Guardian, um dos advogados da iraniana disse que ela foi agredida violentamente e torturada para que aceitasse admitir a culpa na televisão iranaiana .

A subdiretora da AI para o Oriente Médio e o Norte da África, Hassiba Hadj Sahraoui, afirmou que o vídeo "revela a falta de provas contra Sakineh ".

"Parece que as autoridades iranianas orquestraram essa confissão após o pedido de uma revisão da condenação à morte para acrescentar uma nova acusação contra Sakineh , a de ter matado seu marido", declarou Sahraoui.

Além disso, a organização acredita que a transmissão da confissão "coloca em dúvida a independência do sistema judiciário iraniano, que, para ser levado a sério, deveria assegurar que a confissão transmitida não fará parte da revisão do caso".

Embora a revisão da condenação de Sakineh tenha começado em 4 de agosto no Supremo Tribunal iraniano, ela poderia ser uma tentativa das autoridades do Irã para reduzir a pressão internacional, denunciou a AI.

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