Anistia acusa combatentes do Hamas de assassinatos e tortura

LONDRES - A Anistia Internacional disse na terça-feira que combatentes do Hamas na Faixa de Gaza executaram assassinatos, tortura e sequestros de pessoas acusadas de ajudar Israel, durante e depois da mais recente ofensiva israelense.

Reuters |


Ao menos duas dezenas de homens foram mortos a tiros por homens do Hamas e muitos outros levaram tiros nas pernas ou foram feridos de outras maneiras com o objetivo de causar incapacidade permanente, denunciou a Anistia. Outras pessoas foram espancadas, torturadas ou maltratadas, informou o grupo em um relatório.

A maior parte delas foi retirada de suas casas e mais tarde deixadas, mortas ou feridas, em áreas isoladas, ou encontrada nos necrotérios de um dos hospitais de Gaza. Alguns foram mortos nos hospitais enquanto eram tratados dos ferimentos, disse a Anistia.

Os abusos ocorreram desde o final de dezembro de 2008, durante e depois da ofensiva militar israelense que durou 22 dias e matou aproximadamente 1.300 palestinos, afirmou o grupo de direitos humanos.

A Anistia Internacional pediu que o Hamas, o grupo islâmico que governa a Faixa de Gaza, coloque fim à suposta campanha imediatamente e concorde com o estabelecimento de uma comissão nacional de especialistas independentes para investigá-los.

"Não está claro se isso foi algo ordenado ou se a liderança principal perdeu o controle sobre os homens armados", disse Donatella Rovera, pesquisadora da Anistia que escreveu o relatório.

Solicitado a comentar o relatório, o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum, afirmou que durante a guerra Israel empregou muitos informantes para trabalhar contra os combatentes do Hamas e fornecer informação que levaram à morte de ativistas armados.

Sugerindo que alguns desses suspeitos de ajudar Israel foram mortos, ele disse: "Também houve acerto de contas de rixas familiares e de outras pessoas. Portanto, é injusto responsabilizar o Hamas pelo que aconteceu."

"O governo de unidade nacional (Hamas) tinha a obrigação de implementar a lei e as facções de resistência tinham o direito de se proteger", acrescentou.

Os alvos da campanha conduzida pelas forças do Hamas e pelas milícias incluem ex-detentos acusados de ajudar as forças de segurança israelenses, que escaparam da Prisão Central de Gaza quando ela foi bombardeada por Israel no dia 28 de dezembro, disse a Anistia.

Outros eram antigos membros das forças de segurança da Autoridade Palestina e ativistas do partido Fatah, do presidente palestino Mahmoud Abbas, rival do Hamas.

O Hamas, que venceu uma eleição parlamentar palestina em 2006, expulsou as forças do Fatah de Gaza para controlar o território um ano depois.

Uma equipe da Anistia Internacional que visitou Gaza durante e depois da ofensiva israelense gravou testemunhos de uma série de vítimas, assim como de fontes médicas e testemunhas que confirmaram as histórias deles.

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