Começa neste domingo, em Angola, a Copa das Nações Africanas, o mais importante torneio de futebol do continente. O país-sede investiu milhões de dólares em novos estádios e reformas para receber os torcedores africanos.

As últimas edições do campeonato têm registrado cada vez mais craques internacionais e gols, além de episódios bizarros, como a expulsão de um jogador da seleção de Camarões que deu um empurrão em um médico que atendia um colega do time.

Neste ano, a legião de estrelas africanas que devem desfilar em campos angolanos inclui Samuel Eto'o (Inter de Milão), Michael Essien (Chelsea), Didier Drogba (também do Chelsea), Emmanuel Eboue (Arsenal), e os irmãos Kolo e Yaya Touré (do Manchester United e do Barcelona, respectivamente), só para ficar em alguns.

O especialista da BBC Piers Edwards aposta em uma final entre Camarões, de Eto'o e novos talentos, como Alex Song (Arsenal) e Costa do Marfim, de Drogba e dos irmãos Touré.

Para Piers, a rivalidade dos dois principais nomes de cada seleção, Eto'o e Drogba, é uma atração a mais para a possível final. Enquanto Drogba nunca levantou um troféu internacional, o camaronês tem no armário duas medalhas da Copa das Nações e uma olímpica.

Favoritos e zebras
Na lista de favoritos de Piers Edwards entram ainda Nigéria, Gana e o atual campeão, o Egito.

O "grupo da morte" do torneio africano seria o B, com Costa do Marfim, Gana, Togo e Burkina Fasso brigando pela classificação.

Para uma equipe que não vence um título desde 1992, com Drogba no alto de seus 31 anos, essa pode ser a última chance de a atual geração marfinense conquistar um título internacional.

No entanto, talvez o torneio de Angola seja a copa com maior número de zebras potenciais: Mali, Gabão, Burkina Fasso e os próprios anfitriões angolanos.

A seleção do Mali conta com destaques como Momo Sissoko (Juventus), Seydou Keita (Barcelona), Fréderic Kanoute (Sevilla) e Mahamadou Diarra (Real Madrid).

Para completar, contam com o técnico nigeriano Stephen Keshi, que já fez proezas como levar o pequeno Togo à Copa do Mundo da Alemanha e diz estar confiante.

As expectativas sobre outros países do sul da África, como Zâmbia e Moçambique, também cresceram, já que esta é a segunda copa a ser disputada no sul do continente.

Piers Edwards, no entanto, destaca os burquinenses entre as zebras, liderados por Moumouni Dagano, de 28 anos, uma potencial estrela do torneio, segundo o especialista, já que o artilheiro - atualmente no Catar - marcou mais gols do que as estrelas Drogba e Eto'o nas eliminatórias e deve enxergar o campeonato como plataforma para voos mais altos.

Palancas Negras em alta
O Gabão, que, antes de perder o rumo nas eliminatórias para a Copa do Mundo da África do Sul, vinha jogando bem, pode surpreender no grupo D (diante de Zâmbia, Camarões e Tunísia), se voltar à forma.

Já Angola, embora não tenha uma equipe das mais refinadas, conta com o fator torcida e com o técnico português Manuel José, que já levou nada menos que três Ligas dos Campeões da África com o Al Ahly, do Egito.

Embora os angolanos digam estar pessimistas sobre as chances dos Palancas Negras, os números falam por si: das últimas 26 copas africanas, 11 foram vencidas pelos anfitriões.

A primeira partida do torneio será Angola x Mali, no domingo, enquanto Malauí pega a Argélia pelo grupo A, no dia seguinte.

Entre os favoritos está ainda a Nigéria, que há anos é considerada uma equipe forte, mas ainda não conseguiu deslanchar.

Segundo Piers Edwards, parece não vai ser dessa vez, a julgar pela forma mostrada nas eliminatórias por John Mikel Obi, Obafemi Martins, Yakubu e Joseph Yobo.

No entanto, é bom lembrar que os nigerianos se classificaram invictos para a Copa do Mundo.

"Shaibu Amodu é o técnico sob maior pressão entre os classificados para a Copa do Mundo, e pode dizer adeus ao cargo se não chegar às semifinais", aposta Edwards.

No grupo C da copa africana, os Super Águias enfrentam os bicampeões do Egito, desfalcados de jogadores importantes como Mohamed Aboutreika, Amr Zaki, Mohamed Barakat e Mohamed Shaky - todos contundidos.

A bruxa também parece estar solta em Gana, que perdeu jogadores como Stephen Appiah, John Mensah, John Paintsil e Sulley Muntari, aumentando a pressão sobre Michael Essien, outro que acaba de voltar de uma contusão.

Pelo menos, Essien terá ao seu lado campeões mundiais Sub20, como Dominic Adiyiah, embora as chances de Gana quebrar o jejum de 28 anos de títulos pareçam pequenas.

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