Angola retoma votação em eleição controversa

Por Paul Simao LUANDA (Reuters) - Angola realizou neste sábado um segundo dia não-programado de votação para eleição parlamentar em meio a críticas de que o processo, iniciado na sexta-feira, foi caótico e violou a lei eleitoral do país.

Reuters |

A eleição em Angola, a primeira em 16 anos, é em grande parte uma disputa entre o partido governista MPLA (Movimento Popular pela Libertação de Angola) e a Unita (União Nacional pela Independência Total de Angola), principal partido de oposição.

A votação está sob ampla observação internacional por causa da controvérsia que envolveu outras eleições recentes na África e pelo fato de Angola se sobressair como um produtor emergente de petróleo.

A expectativa de que a eleição iria transcorrer tranquilamente se esmoreceu na sexta-feira quando dezenas de seções eleitorais não abriram no horário estipulado, impedindo o comparecimento às urnas de muitos moradores da província de Luanda, que abriga 21 por cento dos 8,3 milhões de eletores registrados em Angola.

A Unita questionou a legitimidade da votação em Luanda e decidiu iniciar uma batalha judicial na Corte Constitucional.

'Não temos escolha a não ser apresentar a objeção legal.

Não houve condições para a eleição ontem em Luanda (a província) e também não há hoje', disse à Reuters o porta-voz da Unita Adalberto da Costa.

O governo nega que tenha havido qualquer irregularidade eleitoral.

De modo geral, o segundo dia de votação foi calmo e ordeiro e a previsão era que se encerrasse às 19 horas locais (15 horas no Brasil). A lei prevê o anúncio dos resultados num prazo de 15 dias, embora os observadores calculem que serão divulgados dentro de uma semana aproximadamente.

A causa principal dos atrasos foi atribuída a problemas com as listas de registro de eleitores. Observadores internacionais expressaram preocupação com a falha na apresentação da listagem depois de meses de planejamento da eleição.

'A lei foi violada porque o registro eleitoral não foi distribuído', disse à Reuters Luisa Morgantini, que comanda uma equipe de 120 observadores da União Européia. 'Não podemos dizer que o processo seguiu as normas.'

PRESSÃO POR NOVA ELEIÇÃO

A Unita e outros partidos de oposição exigem a realização de uma nova eleição. O líder da Unita, Isaias Samakuva, descreveu o processo da sexta-feira como uma 'confusão' e disse que não estava claro se a prorrogação da votação apaziguaria seu partido.

A tensão entre a Unita e o MPLA aumentou desde que a Unita, ex-grupo rebelde, pôs fim a 27 anos de guerra contra o governo, em 2002.

Na campanha eleitoral, a Unita acusou o MPLA de usar recursos públicos para custear sua propaganda partidária e usar a mídia estatal para divulgar seu programa. Também disse que seus partidários estavam sendo perseguidos, acusação endossada pelo grupo de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, com sede nos Estados Unidos.

O MPLA governa o país desde sua independência de Portugal, em 1975. A previsão é que ganhará a eleição por ampla margem. O partido controla atualmente 129 das 220 cadeiras do Parlamento.

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