Angola retoma eleições legislativas após caos no primeiro dia de votação

Luanda, 6 set (EFE).- As primeiras eleições legislativas realizadas em Angola em 16 anos foram retomadas hoje em Luanda, depois que vários partidos da oposição classificaram de caótica a votação da sexta-feira na capital.

EFE |

Luanda e a província de mesmo nome possuem mais de 20% dos 8,3 milhões de angolanos registrados no censo eleitoral para este pleito.

O presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), Caetano de Sousa, anunciou na sexta-feira à noite, em entrevista coletiva, que as eleições continuariam hoje na capital para dar oportunidade de voto a quem ainda não pôde votar.

Sousa reconheceu que houve "erros e transtornos" na organização do pleito, que a maioria dos colégios eleitorais do país, principalmente os de Luanda, atrasou mais de uma hora e meia para começar a funcionar e muitos não funcionaram normalmente.

A chefe da Missão de Observação Eleitoral (MOE) da União Européia, Luiza Morgantini, disse ontem que, em áreas da capital, houve "problemas de organização e confusão", e afirmou que o centro de votação em que esteve no começo da manhã "era um desastre, porque nada estava organizado".

Quatro partidos da oposição - União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita), Partido de Renovação Social (PRS), Partido Democrático para o Progresso de Aliança Nacional de Angola (PDP-ANA) e Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) - solicitaram ontem mesmo a anulação da votação em Luanda.

As formações também exigiram uma outra votação dentro de oito dias.

Os partidos fizeram as exigências depois que seus dirigentes se reuniram até quase meia-noite com Sousa, a quem expuseram suas queixas pela desorganização na jornada eleitoral em Luanda e em outras regiões da província.

O líder da Unita, Isaías Samakuva, que ontem foi o primeiro a dar o alerta diante da caótica situação nos colégios eleitorais, exigiu que os responsáveis pelas eleições solucionem rapidamente os problemas.

"O sistema entrou em colapso e agora é preciso fazer algo para recuperar o processo", disse Samakuva, após a reunião com Sousa.

O líder do FNLA, Ngola Kabangu, disse que "o processo foi viciado de nulidade, foram registrados atropelos muito graves e agora se está à espera de uma solução que dignifique a Angola".

Em entrevista coletiva, Sousa disse que 320 colégios eleitorais permanecerão abertos hoje em Luanda até às 19h (15h de Brasília) para receber os votos de quem, "por uma ou outra razão", não pôde votar. EFE ms/fh/an

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