Angola realiza seu 2º pleito legislativo com esperança de consolidar a paz

Johanesburgo, 4 set (EFE).- Angola realiza amanhã o segundo pleito legislativo de sua história em um clima de tranqüilidade e com a esperança de que as eleições sirvam para consolidar a paz no país, que viveu 27 anos de guerra civil após sua independência de Portugal em 1975.

EFE |

Após 16 anos de uma legislatura dominada pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), do presidente José Eduardo dos Santos, 8,3 milhões de angolanos - pouco mais da metade da população - estão aptos a eleger uma nova Assembléia Nacional, composta por 220 membros.

O pleito legislativo anterior foi realizado em setembro de 1992.

Na ocasião, o MPLA obteve 47% dos votos, e a União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita), 40%.

O então líder da Unita, Jonas Savimbi, acusou o Governo de fraude e retomou a luta armada no país. O conflito só acabou com a morte de Savimbi em combate, em 2002, e por causa da assinatura de um tratado de paz definitivo.

De 1992 a 15 de julho último, quando foi dissolvida, a primeira legislatura de Angola foi a mais longa da história da África.

Espera-se que a renovação do Parlamento seja o prelúdio de novas eleições presidenciais, em 2009.

O hegemônico MPLA domina a campanha com uma forte presença em programas de rádio e TV oficiais, que elogiam as conquistas do Executivo, enquanto os outros 12 partidos contam com poucos minutos para fazer sua propaganda.

Os lucros derivados do petróleo, que alimentam o Governo, permitiram ao MPLA construir uma forte aparelhagem eleitoral. Suas cores, o vermelho e o preto, são onipresentes nas ruas do país, embora o vermelho e o verde da Unita também chamem a atenção.

"O MPLA vai vencer as eleições com uma maioria arrasadora", comentou à Agência Efe o principal responsável pela campanha eleitoral do MPLA, Rui Falcão.

Apesar da tensão entre militantes governistas e opositores, foram registrados muito poucos incidentes eleitorais, entre os quais se destaca a detenção de 13 membros de um partido aliado à Unita e que foi acusado de se manifestar ilegalmente.

Os 13 detidos foram colocados em liberdade poucas horas depois.

Cerca de 100 militantes do MPLA também atacaram participantes de um ato eleitoral da Unita, mas a Polícia interveio na ocasião e evitou que houvesse um conflito de grandes proporções.

Embora o grupo pró-direitos humanos Human Rights Watch (HRW) tenha denunciado no último dia 13 "intimidação e pressões" contra a oposição, as missões de observação eleitoral e diplomáticas assinalaram que há um "ambiente propício" para a votação.

A HRW acusou o MPLA de causar "incidentes de violência política" durante o ato de registro de eleitores entre 2006 e 2008. Disse também que o Governo suspendeu concessões de rádios e deteve jornalistas críticos ao Executivo.

O Governo negou as acusações, e o presidente José Eduardo dos Santos pediu à nação "um alto grau de civismo e uma postura responsável e de respeito à lei e à ordem, para dar exemplo ao continente africano e ao mundo de como devem ser realizadas eleições democráticas, livres e transparentes".

A missão de observadores eleitorais da União Européia (UE), composta por mais de 100 analistas, será a mais numerosa durante o pleito.

O bloco comunitário afirma que "há um bom ambiente" para o pleito, e que a votação pode supor um grande passo rumo à democratização de Angola e da África.

A lembrança de episódios de violência está sempre presente em Angola, onde um milhão de pessoas morreram e cerca de quatro milhões se deslocaram durante a guerra civil. Por isso, a maioria de seus habitantes tem como principal desejo evitar novos focos de enfrentamentos.

Amanhã, cerca de 14 mil centros de votação, atendidos por 25.500 funcionários eleitorais, estarão abertos em todo o território angolano das 7h às 19h locais.

Cerca de 600 jornalistas locais e 100 estrangeiros receberam credenciamento para cobrir o pleito, cujo resultado marcará o futuro de Angola, país com maior crescimento econômico anual na África, mas que ainda tem sua população vivendo na miséria. EFE cho/fr

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