Celebridade entrega frutas e sobremesas a sírios que escaparam de repressão do regime Assad; nesta 6ª, repressão deixa 18 mortos

A enviada da ONU Angelina Jolie viajou para a fronteira da Turquia com a Síria, compartilhando frutas e sobremesas com alguns dos milhares de refugiados sírios que fugiram da sangrenta repressão do regime de Bashar al-Assad. Quase 10 mil sírios buscaram refúgio em acampamentos na Turquia.

Angelina Jolie, embaixadora da Boa Vontade do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, acena ao sair de van cercada por refugiados sírios em acampamento na Turquia
AP
Angelina Jolie, embaixadora da Boa Vontade do Alto Comissariado da ONU para Refugiados, acena ao sair de van cercada por refugiados sírios em acampamento na Turquia
A celebridade de Hollywood e embaixadora da boa vontade do Alto Comissariado para Refugiados da ONU (Acnur) chegou à Província de Hatay, na Turquia, em um jato privado com caixas de brinquedos para os campos de refugiados.

Ela passou duas horas e meia com os refugiados, perguntando em árabe como estavam e depois falando com eles por meio de um intérprete, informou a TV turca NTV, segundo a qual a atriz fez anotações, mostrando particular interesse nas mulheres e crianças.

Angelina foi recebida na pequena cidade de Altinozu com gritos de alvoroço dos refugiados. As autoridades turcas tomaram estritas medidas de segurança durante a viagem de Angelina, e a polícia não permitiu que os jornalistas se aproximassem durante o trajeto do aeroporto até Altinozu e durante a breve visita dela pelo acampamento.

Fãs da atriz que esperavam no aeroporto de Hatay foram mantidos à distância. Angelina viajou de Malta a Hatay em um avião particular que transportava os presentes para as crianças refugiadas.

Os protestos tiveram início na Síria em meados de março como parte da mobilização da Primavera Árabe pela democracia. O presidente Bashar Assad reagiu ordenando que o Exército reprimisse as manifestações de rua. Segundo ativistas dos direitos humanos, mais de 1,4 mil sírios foram mortos e 10 mil, detidos.

Repressão nesta sexta-feira

Protestos contra o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, levaram a choques nesta sexta-feira na Síria, deixando ao menos 18 manifestantes mortos por forças de segurança. De acordo com ativistas e testemunhas, forças de segurança sírias abriram fogo em Homs, Damasco e Deir al-Zour, no leste.

Desde a madrugada de quinta-feira para sexta-feira, o Exército sírio tem avançado na ofensiva em cidades do norte do país. Tanques, blindados, armamentos pesados e ônibus com recrutas foram enviados para as cidades de Maarat al-Numan e Khan Sheikhoun, ambas no caminho que liga a capital Damasco a Aleppo.

Imagem retirada de vídeo no YouTube mostra protesto opositor na cidade de Hama, na Síria
AFP
Imagem retirada de vídeo no YouTube mostra protesto opositor na cidade de Hama, na Síria
Imagens da TV estatal mostraram fotos dos avanços das tropas sírias, cuja missão anunciada é combater “organizações terroristas armadas”. Autoridades afirmam que o plano é levar a cabo uma “operação militar limitada” em Maarat al-Numan, para “restaurar a segurança” no local. O ativista de direitos humanos Mustafa Osso disse à agência Associated Press que ao menos 300 pessoas estavam sendo detidas diariamente na região.

Em Jisr al-Shughour , palco de fortes confrontos nos últimos dias no noroeste do país, autoridades pediram à população em fuga que regresse à cidade, agora sob controle das forças de segurança.

Potências ocidentais continuam em campanha para levar ao Conselho de Segurança da ONU uma resolução condenando a repressão na Síria, mas enfrentam oposição da Rússia e da China, ambas com poder de veto no órgão.

Assad tem nos atuais protestos seu maior desafio em 11 anos de governo. As manifestações contra seu regime, que começaram no sul e se espalharam para o norte do país, ameaçam tomar força no leste sírio, perto da fronteira com o Iraque.

*Com AP, BBC e EFE

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