Angela Merkel força adiamento do debate da UE sobre Cuba de forma inesperada

Luxemburgo, 16 jun (EFE).- De maneira inesperada, a chanceler alemã, Angela Merkel, forçou um adiamento para a próxima quinta-feira do debate da União Européia (UE) sobre um possível fim das sanções a Cuba, quando parecia que só seria necessário vencer a desconfiança de República Tcheca e Suécia.

EFE |

Segundo fontes da diplomacia alemã, Merkel surpreendeu os próprios representantes da Alemanha ao, por telefone, instruir que fosse pedido o cancelamento da discussão sobre Cuba no Conselho de Assuntos Gerais e Relações Exteriores de Luxemburgo.

A Alemanha pretendia atrasar em um mês o debate, até que a França assumisse a Presidência rotativa do bloco no segundo semestre do ano, mas uma reivindicação do ministro de Assuntos Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, fez com que a discussão fosse remarcada para a próxima quinta durante a Cúpula de Chefes de Estado e Governo da UE.

"Faremos todo o possível para que nesta quinta seja aprovado um levantamento das sanções", disse à Agência Efe o chanceler de Luxemburgo, Jean Asselborn, que propôs formalmente ao Conselho não esperar mais de três dias.

Oficialmente, os alemães alegaram que a rejeição irlandesa à ratificação do Tratado de reforma da UE tinha gerado alterações na agenda do dia, mas em particular a delegação confessou que desconhecia os motivos da iniciativa de Merkel.

Alguns diplomatas acreditam na possibilidade de uma divergência de opiniões entre Merkel do partido democrata-cristão, e seu ministro de Assuntos Exteriores, o social-democrata Frank-Walter Steinmayer.

Os representantes diplomáticos também crêem que seja possível uma mudança de atitude após a recente visita à Alemanha do presidente americano George W. Bush, ferrenho defensor das sanções a Cuba.

Fontes alemãs destacaram que, em todo caso, foi preferível um adiamento, já que República Tcheca e Suécia, os dois países mais reticentes sobre a questão cubana, seguiam com algumas desconfianças.

O texto desenvolvido pela Presidência eslovena da UE inclui o levantamento das sanções, o início de um diálogo político em todas as frentes, incluindo os direitos humanos, e a revisão do resultado dessas ações no prazo de um ano.

Diante desse cenário, o chanceler espanhol, Miguel Ángel Moratinos, assegurou que não está "preocupado" e que em "questão de dias" a UE alcançará a unanimidade necessária para levantar as sanções.

"Que alguns países-membros peçam um pouco mais de tempo e reflexão não nos preocupa, embora gostaríamos que entendessem o que está em jogo nas relações com Cuba", disse Moratinos.

Segundo o ministro espanhol, a política defendida pela Espanha "é a única possível diante de uma situação de dinâmicas muito diferentes em Cuba" e por essa razão não tem preocupação sobre isso.

Moratinos ressaltou que o texto sobre o levantamento das sanções tem que ter cada frase avaliada com muito cuidado para que se possa contar com o compromisso dos 27 países.

Caso um acordo político seja alcançado na quinta-feira, é provável que o trato seja ratificado posteriormente em um conselho formal.

A revogação definitiva das sanções diplomáticas impostas a Cuba em 2003 pretende favorecer o diálogo e influir na democratização da ilha.

As sanções, que foram congeladas em 2005, limitaram as visitas governamentais de alto nível, reduziram a importância da participação dos países da UE nas manifestações culturais cubanas e estreitaram os laços com a oposição.

A maioria dos países da UE , liderados pela Espanha, são a favor de aproveitar a revisão anual das relações com a ilha para revogar estas medidas.

A opinião da maioria, que tem apoio também da Comissão Européia (órgão executivo da UE), é de que em Cuba as coisas estão mudando e que as sanções, que na verdade não estão sendo aplicadas, impedem uma participação mais ativa do bloco no processo de transformação da ilha caribenha. EFE met/rr

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