Roma, 25 fev (EFE).- O anestesista Amato De Monte, que colocou em prática o protocolo médico para interromper a alimentação da italiana Eluana Englaro, está sendo investigado pela Procuradoria de Udine em relação a fotografias tiradas da jovem, que morreu em 9 de fevereiro, durante sua permanência na clínica.

A Procuradoria suspeita que pode ter cometido crime de inobservância do procedimento ditado pela autoridade, informa hoje a imprensa italiana.

De Monte, que guiou a equipe que interrompeu a alimentação e a hidratação de Eluana, em estado vegetativo havia 17 anos, recebeu hoje das mãos da Polícia uma notificação emitida pela Procuradoria.

Segundo a hipótese dos investigadores, De Monte teria tirado algumas fotos de Eluana, apesar da proibição do protocolo legal decretado pelos juízes de Milão, que vetaram o uso de máquinas fotográficas ou câmeras de filmagem no quarto onde estava a mulher.

O advogado do anestesista, Giuseppe Campeis, disse que as fotos, de caráter clínico, foram tiradas para testemunhar a execução do protocolo e que as regras sobre privacidade foram introduzidas pela família Englaro no protocolo de atuação para proteger Eluana a respeito de terceiros.

Há duas semanas, o fotógrafo e publicitário italiano Oliviero Toscani disse que quis fotografar Eluana e afirmou, em entrevista publicada no jornal "La Repubblica", que era necessário documentar essa realidade que, graças à tecnologia, mantém os mortos "entubados nos hospitais".

Toscani disse que o pai Eluana, Giuseppe Englaro, errou em sua "estratégia de comunicação" por ter divulgado uma foto da filha quando ela tinha 21 anos, sorrindo para a câmera, mas a mulher morreu com 38 anos e afetada pelas consequências do prolongado estado vegetativo. EFE fab/an

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