André Heller quer superar Liga Mundial e conquistar ouro em Pequim

Redação Central, 29 jul (EFE).- O meio-de-rede brasileiro André Heller, de 32 anos, espera que os resultados negativos na Liga Mundial sirvam de lição para que a equipe traga uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim.

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No final de julho, a seleção brasileira decepcionou a torcida que lotou o Maracanãzinho e foi derrotada na semifinal e decisão do terceiro lugar para Estados Unidos e Rússia, respectivamente.

Após o jogo, o técnico Bernardinho reconheceu que a equipe passava por um "momento de insegurança" e está no mesmo nível dos principais rivais, que na sua opinião são EUA, Rússia, Sérvia, Itália e Bulgária.

Mas a experiência e o currículo de Heller fazem crer que o Brasil ainda é o grande favorito ao ouro. Com a camisa da seleção, ele já foi seis vezes campeão da Liga (2001/03/04/05/06/07), bicampeão da Copa do Mundo (2003 e 2007) e do Mundial (2002 e 2006), venceu um Pan-Americano (2007), além do título no Jogos de Atenas, em 2004.

Em entrevista exclusiva à Agência Efe, o meio-de-rede disse quem são os favoritos à medalha de ouro este ano e repetiu algumas as equipes citadas por Bernardinho.

Para Heller, Itália, Estados Unidos, Polônia e Rússia são os países que podem dar muito trabalho em Pequim, já que "sempre incomodam nos confrontos diante da seleção brasileira".

Russos e poloneses estão ao lado do Brasil no grupo B dos Jogos, que ainda conta com Sérvia, Alemanha e Egito - adversário da estréia no dia 10 de agosto.

Por sua vez, os sérvios também merecem cuidado especial, segundo o jogador.

"A Sérvia tem a maioria dos jogadores muito novos. Eles estão considerando que nós (o Brasil) somos o adversário a ser batido.

Todos entram como franco-atiradores, sem nada a perder", disse à Efe.

O jogador também falou sobre os italianos, contra quem o Brasil conquistou a medalha de ouro em Atenas.

"A Itália, com certeza, vai ser muito perigosa lá (em Pequim), porque ninguém estava acreditando. Ela estava naquela de 'não sei se vou ou se fico', e, no final das contas, está lá. É um time muito perigoso", afirmou.

Heller baseia seus argumentos nos quatro anos que passou naquele país jogando pelo Modena. Uma experiência que, segundo ele, foi muito valiosa.

"O ganho foi muito grande em todos os sentidos. Pelo lado profissional, conheci o melhor campeonato do mundo. No lado pessoal, aconselho a todos esta experiência. Conhecer outra cultura, outra língua. Foi muito gratificante, tanto para mim quanto para minha família", declarou Heller, que mostrou sinceridade ao explicar o porquê do alto nível da liga italiana.

"Lá estão os melhores do mundo e não são os italianos. É o melhor campeonato do mundo pelo fato de ter tantos estrangeiros. Sem eles, o nível técnico cai muito", ressaltou.

Porém, a contratação de jogadores do exterior por parte dos clubes, principalmente dos italianos, vai ficar um pouco mais complicada. Este ano, a Federação Internacional de Vôlei (FIVB, na sigla em inglês) aprovou uma regra que diz que dos seis atletas que entram em quadra, somente dois podem ser estrangeiros.

André Heller não concorda com a medida e diz que ela prejudica aqueles "que não têm chances de atuar na Superliga ou que até mesmo sobrevivem aqui com um salário muito abaixo do que precisam".

"Na verdade, estão tirando essa chance de uma vida um pouco melhor. Acho um absurdo. E, como deixaram essa regra para 2009, 2010, espero que ela seja esquecida", afirmou.

Enquanto muitos ainda buscam o sucesso na carreira fora do país, André Heller faz o caminho inverso e retornará ao Brasil para defender o Minas na Superliga. E ele se mostra contente com a chance de voltar, por causa também da boa proposta do clube mineiro, "não em termos financeiros", mas pela seriedade do projeto.

"O Minas é um clube tradicional, com uma ótima estrutura. Eles têm um projeto muito organizado. Obviamente, volto pra casa duas vezes, ao Brasil e ao Minas, pois já joguei lá. Fico muito feliz de voltar", completou. EFE rb/plc

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