Anarquistas reivindicam explosões em embaixadas de Roma

Missões diplomáticas da Suíça e do Chile recebem pacotes-bomba dias depois de dispositivo ter sido encontrado em metrô de Roma

iG São Paulo |

Um grupo anarquista italiano reivindicou na quinta-feira a autoria de ataques com pacotes-bombas que feriram duas pessoas nas embaixadas da Suíça e do Chile em Roma, num incidente que chama a atenção para as ameaças internas, num momento de instabilidade política na Europa.

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Policial e bombeiro italianos deixam a Embaixada da Suíça em Roma após explosão de pacote-bomba
Um suíço ficou gravemente ferido e foi hospitalizado às pressas. O empregado da embaixada chilena teve lesões menos graves. Um bilhete achado junto à sua roupa reivindicava o ataque em nome da FAI (Federação Anarquista Informal).

"Decidimos fazer nossa voz ser ouvida com palavras e com fatos, vamos destruir o sistema de dominação, viva a FAI, viva a Anarquia", dizia o bilhete, em italiano, que foi divulgado à noite pela polícia.

O incidente tem semelhanças com um episódio no mês passado na Grécia, onde militantes de extrema esquerda enviaram pacotes-bombas a governos estrangeiros e a embaixadas em Atenas.

A FAI é bem conhecida das autoridades italianas. Serviços de inteligência disseram em um relatório enviado no ano passado ao Parlamento que o grupo é "a principal ameaça terrorista nacional do tipo anarco-insurrecionista".

Em dezembro de 2009, o mesmo grupo havia reivindicado o atentado a bomba em um túnel sob a Universidade Bocconi, em Milão. A explosão, às 3h da madrugada, não deixou vítimas.

Nenhuma mensagem foi achada na embaixada suíça, mas a polícia disse que os dois pacotes que explodiram eram quase idênticos.

Mesmo antes da descoberta do bilhete na embaixada do Chile, o ministro do Interior, Roberto Maroni, já citava a ameaça dos anarquistas, e dizia que há uma ligação entre esses grupos na Itália, na Grécia e na Espanha. "Eles são muito violentos", afirmou.

Os ataques ocorreram num momento de tensão na Itália. Na semana passada, uma manifestação estudantil contra uma reforma universitária terminou em violência e várias prisões no centro de Roma, no mais grave distúrbio na cidade em vários anos.

Medidas de austeridade fiscal adotadas em vários países por causa da crise financeira na Europa têm desencadeado grandes manifestações no continente, e especialistas anteveem uma onda de violência política por parte de grupos de extrema esquerda.

As duas embaixadas atingidas na quinta-feira ficam no mesmo bairro elegante de Roma. Outras sedes diplomáticas foram vasculhadas depois dos incidentes.

Uma fonte do Ministério Público italiano disse que o pacote na embaixada chilena havia sido remetido da Itália, enquanto o volume que explodiu na embaixada suíça ficou completamente destruído.

As explosões acontecem dois dias após a descoberta de uma bomba em um trem vazio do metrô da capital italiana. No entanto, segundo a polícia, o artefato não tinha detonador e testes mostraram que estava sem explosivos.

Ameaças no Reino Unido

Na segunda-feira, o Reino Unido prendeu 12 homens em várias localidades suspeitos de preparar e instigar atos terrorista dentro do país. Foi a maior operação antiterror em dois anos no Reino Unido. A ministra britânica do Interior, Theresa May, afirmou que o país enfrenta "uma grave e real ameaça de terrorismo".

AFP
Policiais italianos controlam movimentação em frente do portão principal da Embaixada do Chile em Roma, que foi alvo de pacote-bomba
"Fui totalmente informada sobre a operação policial que foi encerrada com 12 detenções, mas, por razões óbvias, não é apropriado que se comente mais detalhes nesse ponto, pois poderemos entrar em uma complexa e prolongada investigação", explicou a ministra à imprensa.

Os homens, cinco deles de Cardiff (País de Gales), quatro de Stoke-on-Trent (Inglaterra) e três de Londres, foram detidos em suas casas ou nos arredores, sob a suspeita de conspiração, preparação e instigação de atos terroristas. Até o momento, a polícia não deu detalhes sobre as supostas atividades terroristas dos 12 detidos.

*Com Reuters, BBC, EFE e AFP

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