Analistas vêem enfraquecimento das Farc e oportunidade para paz na Colômbia

Elvira Palomo Washington, 3 jul (EFE).- O resgate de 15 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), entre eles a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, evidencia um enfraquecimento da guerrilha naquele país e representa, segundo os analistas, uma grande oportunidade para a paz.

EFE |

A falta de liderança após a morte repentina em maio passado de Pedro Antonio Marín, conhecido como "Manuel Marulanda Vélez" ou "Tirofijo", fundador e máximo chefe das Farc e as sucessivas operações do Governo colombiano, estão fazendo a guerrilhar passar por seus piores momentos.

Assim explicaram à Agência Efe vários analistas que concordaram em afirmar que esta operação também servirá para dar um respaldo ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, e pode estimulá-lo a buscar uma nova reeleição, o que exigiria uma reforma legal.

Segundo Michael Shifter, vice-presidente do Inter American Dialogue, um centro de estudos internacionais em Washington, "o jogo mudou porque os reféns mais importantes estão livres".

"A libertação elimina a única carta que as Farc podiam jogar em seus contatos com o Governo. Vai ser muito difícil agora falar com as Farc como se fossem um movimento guerrilheiro nacional", disse.

O analista acrescentou que o importante é que o Governo de Uribe ofereça mais incentivos para incorporar os guerrilheiros à sociedade civil da Colômbia.

"O Governo colombiano aproveitou a fraqueza das Farc para realizar a operação. Foi uma jogada arriscada, mas deu resultados", acrescentou Shifter.

Segundo a revista "Time", nenhuma vitória no campo de batalha, nem um ataque como o que matou o "número dois" das Farc, conhecido como "Raúl Reyes", em março passado, podia ter haver dado um golpe mais devastador à principal guerrilha da Colômbia.

"As Farc nunca poderão se recuperar disto", afirmou à revista Alfredo Rangel, um analista militar e diretor da Fundação de Segurança e Democracia em Bogotá.

Segundo a publicação, a manobra "não pôde ser mais humilhante para uma força guerrilheira que há uma década parecia capaz de vencer o Governo colombiano".

"O problema agora é se pode sobreviver à desmoralização caso se leve em conta que dezenas de seus comandantes morreram ou se renderam e que uns 300 de seus membros desertam por mês", disse o Governo.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, ressaltou que "é evidente que há gente infiltrada e que já não têm condição de levar um processo de comunicação como o que antes tinham", por isso que considerou que "este é o momento de fazer uma avaliação séria, libertar o resto dos reféns e terminar com esta situação".

Para Johanna Mendelson, membro do programa das Américas do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês), este é um "êxito tremendo para o Governo de Álvaro Uribe e para as forças armadas da Colômbia" que evidencia o desgaste da guerrilha.

Mendelson lembrou que ainda há 500 reféns na selva e disse que é possível que outras operações ocorram "para provar ao mundo que as Farc não podem manter este tipo de bases".

Segundo opinião dela, o resgate dos 15 reféns "é um sinal de êxito do Plano Colômbia", patrocinado pelos EUA, que segundo o especialista "dará mais popularidade a Uribe e maior legitimidade à política que está realizando contra a violência".

Neste sentido, o analista independente Isaac Bigio disse que a operação "potencializará Uribe em sua disputa com a Corte Suprema para poder participar de uma nova eleição para estender seu mandato", que segundo a Constituição deve acabar em 2010.

Bigio afirmou que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, queria inicialmente que as Farc soltassem Betancourt para mostrar a Uribe como um homem "duro" e também para "favorecer" uma legalização da guerrilha "para depois poder chegar ao Governo pela via eleitoral".

Porém, Bigio disse que com a libertação de Betancourt sem ter cedido às pressões da guerrilha, a imagem de Uribe "tanto interna quanto internacional crescerá e a direita do continente vai querer se valer disso para lançar uma contra-ofensiva contra os Governos e partidos esquerdistas da região".

"Da mesma forma que no caso do Sendero Luminoso no Peru, uma guerrilha que se desacredita por praticar ações armadas impopulares termina debilitando a própria esquerda e os sindicatos e ajudando a consolidar forças que querem uma maior liberalização da economia", acrescentou. EFE elv/rb/plc

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