Analistas dizem que imagem do CICV na Colômbia pode ser deteriorada

BOGOTÁ - A confirmação de que um militar usou emblemas do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no resgate de reféns das Farc pode supor uma violação de tratados internacionais que pode deteriorar a confiança do organismo na Colômbia, disseram hoje vários analistas à imprensa.

EFE |

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, confirmou hoje que um oficial do Exército usou emblemas do CICV na "Operação Xeque", que viabilizou a libertação de 15 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O ex-ministro da Defesa Rafael Pardo disse ao jornal "El Tiempo" que a Colômbia, como signatária dos dois protocolos adicionais ao da Convenção de Genebra, "na qual se estabelece de maneira claríssima que não se pode utilizar os símbolos da Cruz Vermelha em atos bélicos", violou um tratado internacional.

"Será gerada novamente uma polêmica sobre se este é um governo que acredita que o fim justifica os meios (...) e também se pode afetar a confiança na relação com o CICV que é um organismo que vem trabalhando muito bem na Colômbia. Isso pode se deteriorar", disse o também ex-candidato presidencial.

O senador do opositor Pólo Democrático Alternativo (PDA) Gustavo Petro lamentou que o uso do emblema do CICV atrapalhe o êxito do resgate dos 15 seqüestrados e acrescentou que o Governo e o comando militar superdimensionaram o direito internacional humanitário.

"O presidente Álvaro Uribe e os comandantes militares superdimensionam o direito internacional humanitário e sobretudo um princípio que é fundamental que é a distinção entre combatentes e civis", disse à "Caracol Radio" o congressista, um dos mais ferrenhos críticos do Governo.

Já o ex-chanceler Augusto Ramírez também assegurou à emissora "RCN" que foi cometida uma "violação ao direito internacional humanitário", porque, segundo ele, o fato se "constitui como a clássica perfídia".

No entanto, o ex-presidente colombiano Ernesto Samper (1994-1998) comentou à mesma emissora que o suposto uso de emblemas da Cruz Vermelha na "Operação Xeque", que permitiu o resgate de Ingrid Betancourt, três americanos e onze policiais e militares, foi justificado.

"Uma coisa é utilizar um emblema para salvar mais vidas e outra é utilizar o emblema para fazer uma operação militar", esclareceu.

Em declarações à "Caracol", a presidente do Congresso, Nancy Patricia Gutiérrez, pediu ao Governo que inicie uma "ofensiva diplomática" para explicar o incidente e disse que espera que o fato não afete as operações do CICV na Colômbia.

O procurador-geral da Colômbia, Mario Iguarán, em declarações à "RCN", descartou a acusação de perfídia porque no resgate não se atacou às Farc, embora na operação se capturaram dois chefes guerrilheiros.

No entanto, o protocolo adicional ao da Convenção de Genebra de 1949 contempla a proibição de "capturar um adversário usando meios pérfidos" como é "simular que se possui um estatuto de proteção, mediante o uso de signos, emblemas (...)".

"Fica proibido fazer uso indevido do distintivo da cruz vermelha", diz o texto.

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