Analistas destacam fatores que dificultam transição em Cuba

Miami, 5 ago (EFE) - A estagnação da economia, a dura repressão contra a dissidência interna e a inércia do regime castrista são fatores que impulsionam um processo de antitransição em Cuba, afirmaram hoje em Miami vários especialistas. A sociedade cubana dá claros sinais do impacto negativo das políticas do Governo e da completa deterioração econômica e social atual, disseram analistas em uma conferência organizada hoje pela Associação de Estudo da Economia Cubana (Asce, em inglês). Digo que há um processo de antitransição na ilha, cujo objetivo é escorar a continuidade e estabilidade do regime castrista, disse Frank O. Mora, professor de Estratégia de Segurança Nacional da Universidade Nacional de Defesa.

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Mora explicou que o que chama de "antitransição" é um processo traçado pela cúpula castrista para evitar "o colapso do regime" e que a "essência da revolução desapareça".

Dois anos depois de o líder cubano, Fidel Castro, anunciar que passaria o cargo a seu irmão Raúl, os "raulistas" fizeram todo o possível para "assegurar a continuidade do regime e que a primeira geração da revolução não desaparecesse".

Nesse sentido, explicou que o eixo central é, "neste momento de incerteza", a "continuidade e a estabilidade" do regime, apesar de eles próprios reconhecerem a necessidade de se fazer "ajustes e mudanças".

Raúl Castro e "a elite política", disse ele, estão conscientes de que o "modelo fidelista não é o ideal", mas estão condenados a defender sua estrutura.

Segundo ele, uma "fissura" neste modelo poderia ser entendida como a "oportunidade para a mudança política e o conseqüente desmoronamento do regime", algo que os "raulistas" estão dispostos a impedir a qualquer custo.

Em Cuba, por telefone, o dissidente cubano Oscar Espinosa Chepe quis deixar claro que o Governo da ilha respondeu com um "banho de água fria" ao aumento das expectativas na população sobre possíveis mudanças.

Assim, ele considerou lamentável que medidas de "reforma de pouca importância", mas que "eram um primeiro passo", tenham sido paralisadas.

Pode-se falar "quase" de uma "contra-reforma" e de "ataques violentos contra a dissidência interna", afirmou Espinosa.

O dissidente atribuiu essas ações ao "setor mais duro" do Governo cubano, que, na opinião dele, "não quer nenhuma taxa de mudança econômica", porque implicaria "mudanças políticas".

Ele questionou os dados apresentados pelo Governo sobre a taxa de desemprego (1,8%), o que, "se estiver certo, colocaria Cuba em uma situação de pleno emprego", o que entra em contradição com "a quantidade de pessoas em idade de trabalhar que não produzem nada".

Com relação à educação, ressaltou que os problemas no ensino "crescem e se aprofundam", com cerca 50% dos professores "iniciantes e não-titulados".

Espinosa ainda disse que 50% das terras não foram cultivadas e que o país precisa importar 84% dos alimentos que consome.

Ele declarou como única opção para enfrentar as condições atuais continuar pelo "caminho das reformas", o que permitiria aumentar "a produtividade e a riqueza".

No entanto, Raúl Castro "não ofereceu nenhuma solução, só fala de más notícias" em um momento em que os cubanos "não têm mais buracos no cinto para fazer mais sacrifícios", enfatizou.

Para Gary Maybarduk, ex-funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos, há hoje uma "iminente possibilidade de mudança em Cuba", situação que deve obrigar os EUA a "traçar uma estratégia", que deve responder ao interesse da "segurança nacional".

Para isso, é vital conter qualquer tentativa de êxodo em massa da ilha e "evitar que Cuba se transforme em caminho para o tráfico de drogas", afirmou.

"Cuba está no início de uma transição", situação que, se os EUA aproveitarem "sabiamente", poderá servir para o surgimento de uma nação "democrática e próspera", afirmou.

Quanto à lei Helms-Burton, ele disse que essa "permanece muda" em relação aos assuntos de segurança nacional e que se trata de uma política "idealista, mas não pragmática".

Maybarduk se mostrou a favor de não suspender "unilateralmente" o embargo americano a Cuba e afirmou que seria conveniente esperar até que o processo de liberalização política e econômica esteja em andamento.

No entanto, "por razões humanitárias", deveriam ser eliminadas "as restrições de viagens de familiares e o envio de remessas à ilha", concluiu. EFE emi/rb/db

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