Analistas afirmam que consumidor pagará o custo da pirataria

O seqüestro do petroleiro saudita Sirius Star, um dos ataques mais ousados já realizados por piratas, terá reflexo no bolso dos consumidores ocidentais, alertaram especialistas em Londres, antecipando que os cargueiros passarão a fazer rotas mais longas para evitar esse tipo de problema.

AFP |

"Alguém vai ter que pagar o custo dos seqüestros" de navios, afirma Roger Middleton, especialista da Chatham House e autor do livro "Pirataria na Somália: uma ameaça ao comércio internacional".

"E certamente será o consumidor ocidental" que pagará por isso, estima o analista, após o seqüestro no Oceano Índico do petroleiro gigante, propriedade da companhia saudita Arambo.

Além disso, Middleton explica que uma das conseqüências dos seqüestros é - além do aumento do custo dos seguros - que os navios passarão a evitar a rota que passa pelo Golfo de Aden e pelo Canal de Suez, dando a volta no Cabo da Boa Esperança.

A Odfjell, um dos maiores grupos transporte marítmo do mundo, anunciou recentemente que, após o seqüestro do "Sirius Star", a suspensão de suas rotas pelo Golfo de Aden, adotando uma trajetória mais longa pelo Cabo da Boa Esperança.

"Não vamos mais expor nossa tripulação ao risco de serem desviados e tomados como reféns", declarou Terje Storeng, diretor do grupo norueguês, em um comunicado.

Esta decisão significa alongar entre seis a 12 dias a trajetória marítima, ainda seguindo a firma.

Cyrus Mody, administrador do Birô Marítimo Internacional, alertou que o preço para segurar a carga de navios que cruzam o golfo de Aden já aumentou.

Este aumento dos seguros levaram as companhias a elevar o custo dos envios marítimos na região, segundo Mody.

"As pessoas comuns é que vão pagar, a pirataria está nos afetando a nível global".

Segundo cifras do Birô Marítimo Internacional, o seqüestro do petroleiro saudita a mais de 450 milhas náuticas (800 km) a sudesde da cidade de Mombasa é o mais recente de uma onda de ataques a navios cometidos por piratas frente às costas da Somália.

No correr do ano, pelo menos 92 navios foram atacados por piratas somalis, dos quais 33 foram seqüstrados. Doze deles continuam em mãos de pirtas.

rjm-ame/ap

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG