Por Ed Stoddard DALLAS (Reuters) - Se o candidato republicano John McCain perder a eleição presidencial de 4 de novembro, como aponta a maioria das pesquisas, seu partido pode passar por um período de exame de consciência.

Analistas e alguns ativistas do partido dizem que perder a Casa Branca vai ressaltar o perigo da dependência excessiva de uma base estreita de conservadores cristãos, cujo apoio, entretanto, tornou-se crucial para o sucesso eleitoral republicano.

Mas alguns conservadores sociais dizem que uma vitória do democrata Barack Obama, que muitos vêem como "ultra-liberal", lhes infundirá ânimo novo para as eleições parlamentares de 2010 e a batalha pela Casa Branca em 2012.

Ainda falta mais de uma semana para a eleição, e muita coisa pode acontecer até lá. McCain já conseguiu dar grandes voltas por cima no passado.

Mas praticamente todas as pesquisas maiores dão uma dianteira nacional considerável a Obama, cuja campanha se beneficia da crise financeira em curso, que abalou os EUA e tirou do cenário político questões que costumam suscitar grandes divergências, como o aborto e o casamento gay.

"Uma vitória de Obama vai dinamizar os conservadores sociais para 2010 e 2012, e eles procurarão um nome representativo em torno do qual se unir", disse Richard Land, presidente da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa da Convenção Batista do Sul, a ala de política pública do maior grupo evangélico norte-americano.

Land disse à Reuters que a candidata que terá as maiores chances de "unir as tropas" sob uma administração Obama deve ser a companheira de chapa de McCain, Sarah Palin.

A governadora do Alasca atraiu a admiração da base evangélica, mas sua oposição intransigente ao direito ao aborto e outras posições conservadoras rígidas afastaram dela os eleitores mais moderados.

William Donohue, presidente da conservadora Liga Católica, que se opõe ao direito ao aborto, disse que os conservadores religiosos se prepararam para uma fase nova nas chamadas "guerras culturais".

"Nos últimos dias estive falando ao telefone com alguns amigos. Estamos nos preparando para as maiores guerras culturais da história", disse ele.

"Nunca na história dos EUA houve um candidato presidencial que fosse defensor mais entusiasmado do direito ao aborto que Obama."

Na eleição de 2004, o presidente George W. Bush teve quase 80 por cento dos votos dos evangélicos brancos e foi o favorito de muitos católicos conservadores.

Na verdade, os conservadores religiosos exerceram papel chave em todas as vitórias republicanas desde a de Ronald Reagan, em 1980, o que, segundo alguns analistas, mostra que o partido não pode vencer sem eles.

De acordo com algumas estimativas, um em cada quatro adultos norte-americanos é evangélico, o que confere aos evangélicos influência muito grande em um país onde fé e política frequentemente se misturam.

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