ANÁLISE-Plano de ação do G20 tem ritmo de implementação incerto

WASHINGTON (Reuters) - O G20, grupo de 20 países desenvolvidos e em desenvolvimento, definiu um plano de ação para tentar restaurar o crescimento econômico global e colocar ordem no sistema financeiro, afetado pela crise de crédito mundial. Contudo, o plano, que visa acalmar mercados e consumidores, deixou para os governos de cada país o desenvolvimento e a implementação das iniciativas. O pacote não chega a ser um compromisso global coordenado para retomar o crescimento.

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Os ministros da Economia dos 20 países vão desenhar medidas específicas para implementar as recomendações do plano, dentro de um cronograma fixado.

O primeiro conjunto de medidas é para ser finalizado até o final de março, antes da próxima reunião do G20, prevista para abril.

HÁ NOVOS COMPROMISSOS COM POLÍTICAS QUE ESTIMULEM A

ECONOMIA?

* Os líderes do G20 prometeram "trabalhar juntos para restaurar o crescimento global" e reconheceram que a situação da economia mundial é ruim. No entanto, eles não se comprometeram a coordenar medidas fiscais, alegando que gastos devem ser usados "para estimular a demanda doméstica", de acordo com cada país.

* A China anunciou um pacote de estímulos de 586 bilhões de dólares. Nos Estados Unidos, os parlamentares do Partido Democrata querem um estímulo econômico adicional, mas não está claro se o governo de George W. Bush tomaria tal medida nos últimos dois meses de mandato.

* Um dos desdobramentos mais positivos foi o compromisso por um esforço para resolver até o fim do ano os impasses nas negociações da Rodada de Doha sobre o livre comércio. No entanto, ficou claro que o sucesso não está garantido. "O que precisamos agora é que essa forte demonstração de apoio se traduza em ação na mesa de negociação", disse o diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), Pascal Lamy.

O PLANO DE AÇÃO TRAZ UMA REFORMA REGULATÓRIA DE FATO?

* O G20 por pouco não estabeleceu uma agência regulatória global ou um órgão supervisor do sistema bancário, algo que os europeus defendiam. Os Estados Unidos, pelo que parece, levaram a melhor na defesa que fizeram contra uma reação e uma regulação exageradas por conta da crise.

* Enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) e um ampliado Fórum de Estabilidade Financeira (FSF, na sigla em inglês) desenvolvem recomendações para evitar a repetição do acúmulo de investimentos de risco, a maior parte das medidas será tomada pelas autoridades nacionais.

* Até o fim de março, o FMI e o FSF pretendem ter recomendações para assegurar que instituições financeiras não usem avaliações impróprias e atuem com segurança para evitar quebras.

HÁ UM NOVO ACORDO DE BRETTON WOODS ASSEGURADO?

* Os países do G20 concordaram em rever a ordem financeira mundial que foi estabelecida numa conferência de 1944 em Bretton Woods. Ficaram, no entanto, longe de prometer uma reforma real. O premiê britânico, Gordon Brown, defendeu uma grande mexida no sistema, dominado pelos Estados Unidos, o dólar, e o G7, sete países mais ricos do mundo que controlam as votações no FMI e no Banco Mundial.

* Ao mesmo tempo que há acordo para que países como China, Índia, Brasil, México e África do Sul tenham mais poder em instituições como o FMI, o G20 não sinalizou como seria ou como se decidiria sobre essa nova divisão de poderes.

* Porém, as esperanças por um reordenamento econômico permanecem fortes. "Uma nova ordem econômica mundial mais dinâmica e inclusiva está se desenvolvendo", disse Dominique Strauss-Kahn, diretor do FMI.

O QUE VIRÁ AGORA E O QUE MUDARÁ?

* Os líderes do G20 concordaram em se encontrar de novo no fim de abril, tempo suficiente para que o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, se instale no governo após a posse em 20 de janeiro, e organize a sua equipe econômica.

* Representantes do governo Bush se disseram felizes por terem assegurado no comunicado do G20 várias referências sobre a importância de "princípios de mercado, livre comércio", em vez da perspectiva mais intervencionista que alguns governos europeus defendiam.

* Analistas disseram que o governo Bush deixou uma marca, a de que para os norte-americanos o risco é muita regulação, e não pouca regulação. Isso dificilmente mudaria. Obama pode ter algumas diferenças, mas a expectativa é que ele defenda os mesmos princípios básicos, segundo Sung Won Sohn, professor da Universidade da Califórnia.

(Reportagem de Glenn Somerville e Stella Dawson)

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